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Vamos mudar a oratória sobre o imigrante brasileiro?

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Por Antonio Martins

Brasileiro residente em Miami há 31 anos, atua como publicitário em sua agência de publicidade ACM Productions fundada em 2002. Tem 54 anos, é Pós graduado em Marketing e Treinamento Desportivo e vice presidente da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI Inter). Também é Diretor de Sales e Marketing desde 1999 do Grupo ACONTECE (Acontece Magazine e Acontece.com).

Muitos brasileiros que chegam aos Estados Unidos já trazem na bagagem pré-conceitos com sua própria nacionalidade. Já vi muitos casos de pessoas que têm medo e se afastam de brasileiros quando passam a viver no país e, com isso, se distanciam da nossa cultura. Percebo que para estas pessoas a vida fica mais difícil, mais pesada e as perdas culturais na mudança, em muitos casos, são tão grandes, que fazem com que eles acabem voltando ao Brasil, achando que não valeu a pena!

Já existe uma boa estrutura social de brasileiros, principalmente na Florida. Além do consulado que pode ajudar na chegada, existem associações de negócios, eventos sociais, grupos religiosos, esportivos, de mães, empresários, além de jornais e revistas brasileiras com dicas de eventos, de produtos e serviços, que auxiliam na comunicação e na familiarização do imigrante. Existem também uma infinidade de agentes facilitadores – um bons e outros nem tanto – que podem, ou pelo menos tentam, transformar a adaptação dos brasileiros em algo muito mais prazeroso. Quem chega ao país pode contar com esta rede de apoio.

Manter este elo cultural é muito importante, pois nunca deixaremos de ser brasileiros e é muito bom poder ser quem somos, poder mostrar para os filhos nascidos e criados nos EUA que não somos diferentes, que os amigos brasileiros se comportam de forma parecida. Que temos hábitos alimentares diferentes, nos vestimos diferentes, beijamos e abraçamos as pessoas por qualquer motivo. Enfim, somos muito distintos das famílias americanas dos amigos da escola. Nesta hora, temos a chance de ensinar a eles o significado da palavra cultura e porquê as coisas podem possuir significado diferente para cada pessoa, depende do grau educacional, da origem e dos valores que cada um acredita.

Precisamos aprender a falar o inglês, mas manter a língua portuguesa em casa com nossos filhos é um trabalho bastante árduo e necessário, afinal, não queremos que os eles não sejam capazes de se comunicar com a família que mora no Brasil. E isso não os afeta em nada na oportunidade de aprender, pois sabemos que a primeira língua de qualquer criança nos Estados Unidos será o inglês, mas se podemos nos dar o luxo de expor nossos filhos a dois ou mais idiomas é bom demais, não é mesmo?

A classe média e alta do Brasil criou um estigma “brazuca” de que os brasileiros só vêm aos Estados Unidos para fazer o “pé de meia”. Mas isso não é verdade, o perfil mudou muito. Desde 2008 muitos brasileiros que chegam por aqui procuram segurança e qualidade de vida. Antigamente, a grande maioria chegava para trabalhar para terceiros, normalmente americanos. Hoje, muitos brasileiros chegam com capital, estrutura e conhecimento, compram casa, carro, colocam os filhos em escolas particulares, empreendem e geram trabalho.

Assassino, ladrão, estelionatário, enganador, aproveitador, enrolador: temos muitos com este perfil aqui também! Aparecem em tamanhos e cores diferentes e falam diferentes idiomas, com e sem sotaque, uns nasceram aqui e outros acabaram de chegar. Por favor, parem de achar que isto é exclusividade brasileira. Por isso, a minha recomendação para o brasileiro ou qualquer imigrante que chega aos Estados Unidos ou em qualquer lugar do mundo é: continue sendo você e haja sempre com cautela. Antes de contratar um serviço ou uma pessoa, averigue sua experiência na área, peça referência, currículo, compare com outros e faça um teste antes de entregar nas mãos de qualquer pessoas seus bens. Pesquise bastante, não tenha medo de gastar tempo, pois isto pode lhe facilitar a vida e salvar muito dinheiro.

Ouço e me incomodo muito com frases como “cuidado com pessoas que vieram do pais que eu vim”. Isso é uma discriminação generalizada e errônea que desvaloriza a ela mesma! Por isso, meu recado, como brasileiro com vivência de tantos anos nos Estados Unidos é: vamos trocar esta oratória. Temos vários exemplos positivos de brasileiros que fazem coisas magnificas em suas áreas de atuação. E tenho certeza que muitos que estão chegando também se tornarão bons exemplos. Sou do time que se orgulha pelo sucesso e incentiva os brasileiros de bem, pois somos filhos do mesmo país.

Sejam bem-vindos!

 

Esta materia saiu originalmente no Jornal B&B em Fevereiro de 2020.

https://jornalbb.com/vamos-mudar-a-oratoria-sobre-o-imigrante-brasileiro/

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