Wal Reis

Vai, mas vai se achando. Ou nem vai

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*Wal Reis

Sim o papo hoje é de mulher: quando o assunto é sexo, tem uma preliminar mais importante do que todas as preliminares juntas: você precisa estar convencida de que transaria com você mesma. Ir para as vias de fato focando em celulite, gordurinhas e afins é o primeiro passo para a experiência ser ruim. 

E ninguém tem que ser a imagem e semelhança de Afrodite para alcançar o estágio de autoamor. Ao contrário: até mulheres com corpos perfeitos podem patinar na arte. Porque tem mais a ver com “se convencer” de que é gostosa do que, necessariamente, de ser. 

A aceitação amorosa do próprio corpo é o atalho para o prazer a dois. Essa mensagem, transmitida nos bastidores da relação, cria uma atmosfera de sensualidade, que deixa os afrodisíacos no chinelo. 

O sexo é, antes de mais nada, energia. A manifestação de um corpo que fala e não de um corpo mudo, mesmo que este se pareça com uma escultura de Rodin (duro e frio). A atração física entre duas pessoas é menos feita de matéria – peitos, bunda e barriga chapada – e mais da autoconfiança, da cumplicidade, da falta de entraves psicológicos ou excesso de pudores. Ninguém envolvido em um momento de sedução faz pausa para aferir cintura ou contar quantos buraquinhos colecionamos nas coxas. Isso é neura e pode ser bem eficiente para acabar com qualquer clima.

Um corpo que se move, com desenvoltura e segurança, deixa dobrinhas nas costas, culote avantajado ou depilação que já viu dias melhores em segundo plano. Mas, claro, quando ir para a transa “em ordem” contribui para a construção de seu empoderamento, está valendo: faça sua parte para ser a dona do pedaço.

Quer ver um erro comum entre nós, mulheres? Optar por lingeries e fantasias de sexy shop como se estas armaduras nos transformassem em uma sexy bomb num passe de mágica. Ledo engano: se não há identificação com este tipo de indumentária, a chance maior é de arrancar risos e não suspiros.  Em contrapartida, quando você vai “se achando” até a famigerada calcinha bege pode promover efeitos libidinosos.

*Wal Reis é jornalista, profissional de comunicação corporativa e escreve sobre comportamento e coisas da vida. Blog: www.walreisemoutraspalavras.com.br

Foto: GORBACHEVSERGEYFOTO _Pixbay

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