Ah, amiga... senta aqui e vamos conversar sobre o amor
Vida e Saúde Wal Reis

Ah, amiga… senta aqui e vamos conversar sobre o amor

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Um pouco de sarcasmo e bom humor para tratar de assuntos sensíveis.

Primeiro, larga a garrafa de conhaque. Não, eu não deixei a garrafa de conhaque aí para você se atracar com ela. Por que diabos eu ia te esperar com conhaque? Você não tem resistência nem para licor de menta. Ela estava aí na mesa porque eu ia flambar a carne do estrogonofe para o almoço. Seria um domingo normal e meu único risco era botar fogo na cozinha com o procedimento.

Mas aí você ligou dizendo que ia tentar o suicídio. E a última vez que fez esse anúncio se perdeu no centro de São Paulo, tentando achar o Viaduto do Chá para se jogar. Ok, vou pular esta história.

Conta: foram à festa? E você colocou aquela roupa parcelada em 12 vezes da grife sei lá qual, com um decote interminável? Tá. E todo mundo reparou no seu… look? Sim, acredito. Não, não tem nada de errado com sua comissão de frente. Mas o fato de não ter nada de errado com certas partes do corpo, que normalmente ficam cobertas em situações sociais, não as habilita a entrarem em cena em uma festa de formatura.

Não era festa de formatura? Era o casamento da filha do chefe dele? Na igreja?

Abre o conhaque. Vou pegar os copos.

Vamos revisar: ele não queria te levar na festa porque tinham terminado. Você insistiu. Ele reconsiderou, provavelmente temendo represália. Você colocou na cabeça que precisava reconquistá-lo e que teria que ser uma noite inesquecível. Para o intento, comprou o vestido mais “menos é mais” que encontrou, achando que seus atributos – que, até onde eu sei, já eram conhecidos dele – fossem também apresentados a todo o staff da empresa. Parece que a noite inesquecível foi promovida sim. Ele continua empregado?

Não, eu não acho que é fácil. Se tem uma coisa difícil é se sentir preterido. Mas garanto que seus métodos não ajudaram a reverter a situação. E vou além: às vezes, nem é para reverter. Eu sei que fica difícil acreditar, mas você é uma garota inteligente, cordial, espirituosa. E louca. Nenhum problema em ser meio louca, somos todas. Mas, no seu caso, a maluca está comendo as outras pelo pé, sabe? Tipo um desequilíbrio na cadeia alimentar.

Lutar por seu amor? Olha, nem se as famílias fossem Montecchio e Capuleto. Com Shekspeare isso já deu merda. Não se luta por alguém que não te quer. Tenho curiosidade de saber como se convence o outro de que ele tem que te amar. Engravidando? Fazendo declaração de amor pública? Levando bolo para a pretensa sogra? Indo ao casamento da filha do chefe vestida de biscate?

Não grita! Foi só um exemplo.

É que existem momentos de olhar para dentro com a mesma coragem com que se abre a fatura do cartão de crédito: sabendo que o que está ali pode não agradar, mas precisa ser encarado. Tempo de hibernar, de mergulhar nas profundezas do eu, corrigir falhas geológicas e descobrir que o caminho para si é o melhor atalho para encontrar um amor que venha para agregar. Aquele que ficará por livre e espontânea vontade.

E quando este dia chega, pode ir à festa vestida de você mesma que o sucesso será garantido. No dia seguinte, se rolar ressaca, vai ser derivada dos excessos de quem bebeu para, realmente, festejar a vida.

Por Wal Reis

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