Wal Reis

Os “por ques” e os “porques” – Wal Reis

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Falando nisso, por que, afinal, perseguimos respostas inúteis?

A gente sabe que não tem mais importância, que superamos e que a página foi virada quando não precisamos mais dos “porques”.

Não é pelo racional, pelos fatos em si ou pelas feridas abertas que esquecemos ou damos um basta. Isso só acontece se os “por ques” interrogados não povoam mais nossos pensamentos mesmo que os “porques” nunca tenham sido explicados.

É quando as respostas genuinamente não interessam mais e discernir verdades e mentiras já não faz nenhum sentido. Quando as dúvidas se acalmam mesmo sem ninguém ter te oferecido certezas. Você reviu a situação milhares de vezes e permaneceu sem entender. E aquilo te envenenou a alma. As explicações pareciam imprescindíveis para continuar respirando: ao menos uma justificativa que, como uma varinha mágica, aliviasse o peso de tantas perguntas.

O fato é que empacamos em incertezas: são como poças de lama que nos deixam patinando, sem conseguirmos ir a lado algum. Daí a insistência pelos “porquês”: sentimos que verdadeiramente os merecemos. Seria lícito e justo que eles chegassem para imprimir uma “moral da história” naquela história que, aparentemente, acabou sem acabar.

Porque – e aqui vai um “porque” – enquanto esperamos por argumentos sustentamos um fio de esperança de que exista uma justificativa forte para atitudes que magoaram tanto. No fundo, queremos perdoar para aplacar o que dói, colocando uma vírgula, afastando o desfecho.

Até que chega uma fase em que as interrogações vão se aquietando: saber o que levou alguém a agir desta ou daquela maneira faz tanto sentido quanto lembrar o nome do atores do filme ruim, que nem foi assistido até o fim. Neste momento, percebemos que a redenção não depende de respostas, mas de um curativo poderoso chamado tempo, capaz de sanar não só as feridas como nossa cegueira.

Se as respostas nunca vieram é porque não existem. E quando o “por quê?” incômodo insistir em te assombrar, responda para você mesmo: “porque sim. Porque tudo aconteceu como tinha que ser.” E ponto final.

*Wal Reis é jornalista, profissional de comunicação corporativa e escreve sobre comportamento e coisas da vida.

Crédito foto: Pixabay

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