Gastronomia

Conhecimento e história: A força do café nos EUA

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Hoje o café faz parte do estilo de vida americano, sendo um ritual de consumo regular de 83% da população e nessa edição vou compartilhar curiosidades históricas e dados superinteressantes onde é possível entender o poder da chegada do grão e a força da permanência do café nos EUA.

Conta-se a lenda que foi no início de 1600, que o fundador da Colônia de Virgínia, capitão John Smith, apresentou a outros colonos o grão trazido por meio das embarcações vindas da Europa. Mas foi em Boston, 70 anos depois, onde se teve a primeira evidência escrita nos Estados Unidos, onde Dorothy Jones recebeu a primeira licença para venda de café.

Porém, o costume da colônia inglesa naquela época tinha como sua preferência no consumo de bebidas o chá, a sidra e a cerveja. Com o crescimento do consumo de chá, apareceram diversos concorrentes iniciando vendas paralelas, o que fez o governo da Inglaterra em 1698, conceder à Companhia Britânica das Índias Orientais o monopólio de venda e em 1721 o parlamento aprovou um ato onde exigia que os colonos importassem seu chá apenas da Grã-bretanha.

Em 1767, para ajudar na competição com o chá holandês contrabandeado, o Parlamento aprovou a Lei de Indenização, que reduziu o imposto sobre o chá consumido na Grã-Bretanha, e concedeu à Companhia das Índias Orientais o reembolso do imposto de 25% sobre o chá exportado para as colônias. Para compensar a perda de receita do governo, o Parlamento também aprovou o Ato Townshend Revenue de 1767, que cobrava novos impostos para as colônias, incluindo um sobre o chá. Ao invés de resolver o problema do contrabando, ganhou a revolta do povo que arquitetou uma das revoluções que mais impactaram a Revolução Americana e a história do consumo dos estadunidenses.

Foi em 16 de dezembro de 1773, que a população revoltada contra a alta taxação imposta pelo Rei George III sobre o chá, organizou um protesto, envolvendo todos comerciantes e consumidores contra o contra o governo britânico. Os colonos ingleses, disfarçados com as vestes dos índios guerreiros mohawk, abordaram os três navios e, ao longo de três horas, lançaram ao mar todos os 342 baús de chá, pertencentes à Companhia Britânica das Índias Orientais, às águas do Porto de Boston – ato que ficou conhecido como “A Festa do Chá de Boston” (The Boston Tea Party). Essa revolta impactaria todo consumo estadunidense, pois o consumo de chá se tornaria um ato anti-patriota e, assim, o café ganha todo espaço para ser a nova bebida favorita na América.

Mikaela saboreando um bom café.
Fotos: Acervo Pessoal

Outro fato interessante é que durante o movimento dos Cowboys e na mesma época quando eclodiu a Guerra Civil (1861-1865), o café era usado como estimulante, sendo disponibilizado durante as refeições. Diversos historiadores confirmam que foi a Guerra Civil que realmente levou o café ao status de “bebida dos EUA”. Nesta mesma época surgiu um momento adorado por muitos, o “Coffee Break”, a pausa para o café. Durante a guerra, fazia parte do incentivo para manter os soldados fortes, alertas e com esperanças para retornar às suas casas. No início de 1900, muitas fábricas adotaram a pausa para o café para manter os trabalhadores ativos na jornada de trabalho. E à medida que os sindicatos ganham força, a prática tornou-se obrigatória. E hoje, além de um hábito, se transformou em um momento de interação durante eventos, reuniões e no trabalho.

Chegando à atualidade temos a revolução das cafeterias e cito um caso ímpar que é a rede Starbucks, que conta com mais de 30 mil lojas em 80 mercados (dados de 2019), sendo a maior empresa mundial de torrefação e venda de café especial no mundo. De acordo com o Global Coffee Report, quase 60% dos cafés servidos nos Estados Unidos são preparados a partir de grãos especiais e o consumidor médio de café americano consome pouco mais de três xícaras por dia, dados que ajudam a rede a continuar expandindo. Os famosos copos da companhia se tornaram ocônicos e podem ser vistos ao redor do mundo acompanhando os trabalhadores, turistas e facilmente vistos em contas no Instagram para reforçar o lifestyle.

E mesmo durante a pandemia, os norte-americanos não alteraram seu hábito de consumo de café, mas passaram a bebê-lo em casa, aumentando em 57% a venda online neste período, de acordo com o estudo encomendado pela Associação Nacional de Café dos Estados Unidos (NCA, na sigla em inglês). O presidente e CEO da NCA, Bill Murray, diz que o café é essencial para o dia a dia do norte-americano, hoje o maior país consumidor do mundo em volume!

De acordo com um levantamento realizado pela Apex Brasil, o café possui grande relevância para a economia dos Estados Unidos, por ser a principal commodity agrícola importada pelo país. O café Arábia representa 80% das importações e os 20% restantes são de café tipo Robusta, Bourbon, Peaberry, entre outros. O café Arábia é o preferido entre os americanos por ser considerado de qualidade superior no que tange a cor, sabor e aromas. Estima-se que cada norte-americano consuma em média 4,2 kg de café anualmente, o que representa um consumo anual para o país de 1,3 milhões de toneladas. De acordo com os dados do Euromonitor, as vendas de café nos Estados Unidos movimentam anualmente 12 bilhões de dólares. E o Brasil, sendo o maior produtor mundial de café verde, respondendo por 1/3 da produção mundial, provavelmente já fez parte do seu consumo em terras americanas.

O café fez parte da força da revolução americana e continua sendo um poder diário para os estadunidenses.

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