Wal Reis

O tamanho do meu desamparo

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Só sabe quem já sentiu.

*Wal Reis

Só entendemos o que é desamparo quando nos tornamos vítimas dele. Porque não tem como explicar o desamparo em uma frase, com meia dúzia de palavras.

O desamparo é uma tristeza profunda de quem está prestes a desistir. Desamparo é uma solidão que não se define por falta de presenças, mas por uma ausência que nada preenche. O desamparo é o luto depois que o velório termina e as mensagens de pêsames rareiam. O desamparo é o cansaço de quem tentou todos os caminhos, mas não saiu do lugar e então parou de tentar.

Desamparo é o capítulo seguinte ao desespero. Ele se instala após o desespero cansar de esbravejar, de dar cabeçadas e de pedir porquês. Enquanto o desespero faz alarde, o desamparo cala, uma vez que já não vale a pena gritar quando ninguém entende suas súplicas. É como se o desamparado falasse outro idioma: uma língua que ninguém entende.

O desamparo envolve, amordaça e imobiliza. O desamparo mina a esperança de dias melhores a tal ponto que você chega a desacreditar que eles tenham acontecido algum dia. O desamparo engrossa lágrimas e afina a pele, deixando a sensação de carne viva: tudo dói.

O desamparo é um fundo de poço de onde se gostaria imensamente de sair porque desamparados, mesmo quando parecem ter jogado a toalha, ainda olham para a luz esperando secretamente o resgate.  Querem muito ser alcançados pelas palavras certas, pelo abraço que não julga, pelo olhar atento de quem verdadeiramente se importa e por alguém que diga: “vem comigo, eu te mostro onde pisar e a gente sai daqui juntos.”

*Wal Reis é jornalista, profissional de comunicação corporativa e escreve sobre comportamento e coisas da vida. Blog: www.walreisemoutraspalavras.com.br

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