Bianca Bittencourt e sua filha Isabelle
Entrevistas

Mãe perseverança – “Tive que renascer como mãe, agora de uma criança especial”

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A carioca Bianca Bittencourt é dentista, viveu em diferentes países, mas em 2005 mudou-se para Weston (FL), com o marido Alexandre Oliveira e a filha Isabella, na época com 14 meses. Após um tempo já morando na Flórida, a filha foi diagnosticada com o Transtorno do Espectro de Autismo, notícia que transformou para sempre a vida de Bianca e de toda a sua família. Apesar do trauma inicial e momentos de insegurança e medo, Bianca foi se adaptando à nova realidade e renasceu como mãe. Hoje, sua rotina é focada no desenvolvimento da Bebella, que está com 4 anos e meio, e na conscientização das pessoas sobre a síndrome do autismo. Conheça mais a história dessa mãe guerreira, nesta entrevista para a Acontece Magazine.

Bianca, como você reagiu à notícia de que sua filha era portadora de autismo?
A notícia foi avassaladora, minha primeira filha, recém-chegados aqui, e uma bebê. Era algo que não havia nunca passado pela minha cabeça, nem nos meus piores pesadelos. Não sabia do que se tratava o TEA e a imagem de filmes como “Rain Man” e personagens estereotipados eram o que vinha na minha cabeça. O chão se abriu e foi como perder uma filha e ver outra nascer. Realmente o luto do filho idealizado é forte e você nasce como uma nova mãe. A maternidade, já uma novidade pra mim, tornou-se ainda mais surpreendente e tive que renascer como mãe, agora de uma criança com necessidades especiais. Tudo se transformou, reaprendi a cuidar dela, a ajudá-la a ser cada dia mais independente e desvendar mais o nosso mundo com seus olhos, a ser feliz assim.

Na sua história do projeto Eye Contact, você usa o título “Everything shall pass”. Esse é o mantra da sua vida?
O mantra “ Tudo passa” começou a fazer parte da minha vida no momento em que Isabella começou a ter superações no tratamento do TEA e tudo foi evoluindo. As caídas existem e sempre existirão, os problemas são comum a todos, o modo que o enxergamos e lidamos com ele é que faz a diferença. Nada dura pra sempre, tanto as derrotas quanto vitórias, estarão sempre presentes.

Quando você começou a aceitar essa nova realidade e a enxergar o autismo da Isabella de outra forma?
Acho que no momento em que eu vi que ela, com nosso apoio, poderia ser feliz, foi o momento em que passei a ver a vida de outra forma. Percebi que regras sociais são importantes, mas ela se sentir útil, independente e feliz era a verdadeira razão de seu ser. E, depois disso, libertei-me do “peso” do autismo, e busco isso pra ela.

Como é sua relação com a Isabela? O que mais você admira na sua filha?
Isabella é minha companheira, minha parceira mesmo, meu amor. Através dela acabei com vários preconceitos internos e passei a enxergar o mundo com os olhos da diferença. Ela me faz ser um ser humano que tenta aprender e evoluir todos os dias. Sua doçura é contagiante, sua inocência me faz ter esperança no ser humano e seu amor me nutre de forças todos os dias para continuar lutando ao seu lado. Admiro muito toda a sua luta, sendo que ela lutou sem saber, na altura de seus pouquíssimos anos, e continua batalhando para aprender e ser independente. Cada vitória é muito comemorada e tenho muito orgulho de tudo o que ela conquistou, com todas as suas dificuldades e pouca idade.

Você sofre quando as pessoas olham a sua filha diferente?
Hoje em dia não me aborreço com os olhos “inocentes” das pessoas que não entendem o que é o autismo. Infelizmente, eu também não sabia nada sobre, até acontecer comigo. Literalmente só aprendemos sobre isso quando sentimos na pele. Batalhamos pela conscientização diariamente e esperamos que o “pré-conceito” seja transformado em conhecimento.

Você criou um Instagram para ajudar outros pais brasileiros de crianças autistas a lidarem com essa realidade. Como está sendo esse trabalho?
Abrir o perfil do Instagram “uma_autista_na_florida” foi a forma de agradecer e retribuir toda a ajuda que recebi e recebo após o diagnóstico. Acredito que com uma abordagem realista, porém leve, a gente consegue ajudar os outros e levar muita informação técnica, que aprendo conforme a necessidade. Confesso que é cansativo às vezes e o pouco tempo que tenho entre terapias e atividades com a Isabella acabo dedicando à rede social. Mas o carinho, as amizades e todo o amor que recebo são maravilhosos e me impulsionam a ser uma melhor mãe, uma melhor amiga, uma pessoa melhor.

“A melhor palavra pra definir a Bianca, pra mim, é ‘perseverança’. Perseverança para seguir em frente quando todas as chances de desenvolvimento apontavam na direção contrária, perseverança para continuar acreditando na sua visão ainda que o caminho se apresentasse tortuoso ou cheio de espinhos, perseverança para não só ser fundamental na evolução da ‘Bebella’, mas ainda encontrar forças para ajudar outras mães e famílias que similarmente se encontram na mesma jornada.” Alexandre Oliveira, marido de Bianca e pai da Isabella

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