Um dia passa. Mas passa mais um dia. E não passa
Vida e Saúde Wal Reis

Um dia passa. Mas passa mais um dia. E não passa

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Um dia passa. Antes de casar sara. Jajá você esquece. Nada como um dia após o outro. Mais um pouco e vai ser página virada. Amanhã será outro dia. E a vida continua.

Todas estas “máximas” – que, na verdade, traduzem a mesma ideia – têm grande chance de se tornarem verdadeiras. Não em 100% das ocorrências, é fato. Porque para algumas pessoas pode acontecer de não passar, apesar de a vida continuar e de amanhã ser outro dia. Mas o ideal seria que ninguém nunca precisasse escutá-las. Quando algo dói e dói de deixar turva a vista, essas sentenças passam longe de inspirar alívio.

Como criança que cresceu nos anos de 1970 e que se acidentava com certa frequência por preferir brincadeiras mais radicais escutei tantas vezes diante de joelhos em carne viva e avarias nos braços que “não era nada”. A pedagogia ainda não tinha dado as caras na minha família e essas palavras faziam com que me sentisse incompreendida. Afinal, havia machucado sim e, na hora que arde, parece que não vai sarar.  

Talvez por isso, ao abraçar o magistério achei lindo perceber o efeito calmante de certas frases: “eu sei que está doendo” – aprendi a dizer olhando em olhinhos lacrimejantes –  “muito chato isso ter acontecido, mas vamos fazer de tudo para parar de doer”.

É dessa solidariedade que a gente precisa e não só no maternal: pela vida inteira. Os “tombos” ficam bem maiores conforme crescemos e ferem deveras mais. É muito simples, quase uma questão de semântica. Uma semântica cheia de empatia de quem se esforça para walk a mile in someone’s shoes (andar uma milha com os sapatos de alguém).

Faltam amigos. Nesse mundo de soluções enlatadas, no qual a terapia parece ser o único caminho para ser ouvido com atenção e sem censura, faltam amigos que durmam preocupados como se a sua angústia fosse deles. “Ah, eu já tenho tantos problemas…” A maioria de nós tem sim. Porém, a conta é fácil: quando você multiplica problemas, garante a multiplicação das alegrias porque mesmo as que não te atingem diretamente, vão te tonar mais feliz.

Se dissabores têm chance de passar, deixando apenas vagas lembranças, sem comprometer nossa capacidade de viver plenamente, esta possibilidade inclui contar com quem não vai tentar te convencer que superar o que dói é uma simples questão de tempo ou de reprogramar seu cérebro, como se sentimentos tivessem alguma lógica matemática. Um dia a página vira mesmo e até conseguimos fechar o livro de vez. Mas precisamos de quem não se importe em reler os mesmos capítulos ao nosso lado quantas vezes forem necessárias para amanhã ser realmente um novo dia.

Wal Reis

Jornalista, profissional de comunicação corporativa e escreve sobre coisas da vida e comportamento no blog: www.walreisemoutraspalavras.com.br

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