Wal Reis

Quando alguém te elogiar, não faça um discurso: só agradeça

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“Lindo este vestido? Imagina: velho, deve ter uns 20 anos. E comprei numa liquidação…”

*Wal Reis

Basta elogiarem seu cabelo, sua roupa ou qualquer coisa que te pertença para a resposta vir automática: “imagina, meu cabelo está horrível. Este vestido? Comprei em uma liquidação. Bolsa? Engana, né? Mas é da 25 de Março. Pele boa? Troca os óculos.”

Essa autodepreciação é quase espontânea. E o motivo é simples: não fomos preparados para receber elogios. Algo grita dentro da gente quando alguém nos consagra, como se fôssemos pegos em flagrante delito. O primeiro impulso é se esconder dos holofotes, antes que descubram que somos uma fraude e o elogio não cabe. Um misto de constrangimento e culpa e o cérebro dá o comando para desqualificar a situação.

 O outro sentimento é o descrédito: “mentira. Minhas unhas estão fracas, a blusa caiu horrivelmente e sou gorda. Linda? Deboche, com certeza.”

Difícil acreditar que podemos impressionar positivamente e ter o reconhecimento expresso em palavras. Tem a ver com autoestima. E autoestima, geralmente, não é item de fábrica. Precisa ser construída, com ginástica mental digna de atleta de alta performance. Mesmo que você não aposte uma única ficha em você mesmo.

A dica é simples: se alguém te elogia, mesmo que todos os “senões” te venham na ponta da língua, engole e agradece. Não comente, não teorize, não justifique. Agradeça. Dê seu “muito obrigado” quando disserem que o tempo não passa para você, que seu sorriso alegra a casa e que sua pulseira é linda. Porque é só o que deve dizer. A menos que façam uma santa inquisição sobre o acessório, não tem necessidade de passar a ficha técnica, explicando que comprou no camelô da esquina por R$ 10,00, uma pechincha. Receba e sorria. Porque mesmo se o elogio não for sincero, o malefício vai ficar com quem o proferiu desonestamente. Você fica com a parte boa, com a energia do merecimento. E essa é a melhor rasteira que podemos dar em quem tenta um ataque às avessas.

E aceita que dói menos: somos sim altamente elogiáveis!

*Wal Reis é jornalista, profissional de comunicação corporativa e escreve sobre comportamento e coisas da vida. Blog: www.walreisemoutraspalavras.com.br

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