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Planejamento é essencial para o profissional de TI que deseja trabalhar nos EUA

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Desenvolver negócios globais e prover reserva financeira para estadia são pontos cruciais para imigrar com sucesso

Há mais de 20 anos que existe um déficit global de profissionais na área de tecnologia. E a conta nunca fecha porque conforme novas tecnologias vão sendo desenvolvidas, o mercado educacional não consegue acompanhar e a busca por especialistas em TI segue frenética, ao ponto das nações desenvolvidas importarem trabalhadores de países como Brasil, Índia, China e Coreia do Sul.

Diante dessa alta demanda por profissionais de tecnologia, quem trabalha em empresas multinacionais sai na frente na imigração para países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Este é o caso de Eduardo Mattos Duarte, gerente de produtos de soluções de computação em nuvem de uma grande empresa, que hoje trabalha na matriz da empresa em São Francisco, nos Estados Unidos.

Mattos também mantém um canal no YouTube em que fala sobre sua vida de expatriado e dá dicas a colegas da área de TI sobre como imigrar de forma correta. Ele aponta como principais aspectos, a serem considerados quando decidir mudar de país, ter construído uma sólida carreira com entrega de resultados globais para a empresa em que trabalha e constituir uma reserva financeira para suprir eventuais necessidades nos primeiros três anos de vida no país em que vai morar.

Daniel Toledo, advogado especialista em Direito Internacional, comenta que as pessoas acreditam que saindo do Brasil, elas vão simplesmente deixar os problemas para trás e viver só as coisas boas da vida nos Estados Unidos ou em qualquer outro país. “Elas precisam ter consciência de que vão mudar absolutamente tudo, outra cultura, costumes novos, horário de trabalho novo, forma de comunicação diferente e isso pode pesar na vida delas. Se não estiverem preparadas, não conseguem se adaptar”, pondera.

Sobre o planejamento financeiro, o advogado aponta também a necessidade de estar informado e preparado para as variações que o dólar sofre no mercado global. Segundo Toledo, as reservas devem sempre ser dolarizadas para evitar surpresas causadas pelas oscilações da moeda. “Vi casos de pessoas que entraram em desespero porque vieram para os Estados Unidos na época que o dólar estava cotado a 3 reais com uma renda de R$ 10 mil e no último ano sofreram um decréscimo de 50% nos rendimentos quando a moeda americana subiu a cotação para a casa de 6 reais”, relata.

Toledo ainda acrescenta ao planejamento de mudança de país, os gastos e procedimentos para obtenção de visto. No caso de Eduardo Mattos, o visto concedido é o EB-2, utilizado por empresas americanas que oferecem oportunidade de trabalho para um estrangeiro com base em suas qualificações profissionais. Essa forma de contratação é feita por meio de um certificado de emprego do Departamento de Trabalho americano e com essa autorização, o estrangeiro pode ser contratado utilizando o visto EB-2, que permite residência permanente nos Estados Unidos e dá início ao processo de obtenção do Green Card.

Planejamento de carreira

Eduardo Mattos conta que as pessoas que trabalham em setores que contribuem para o resultado econômico-financeiro global das empresas de tecnologia têm mais possibilidade de serem expatriados. “Embora os resultados locais sejam importantes, os globais ganham maior visibilidade dentro da companhia”, aponta.

Antes de mudar para a matriz da HP nos Estados Unidos, Mattos atuava como executivo de pré-vendas em outsourcing (terceirização) de TI e em uma das reuniões de negócios da empresa, um painel demonstrava que dos sete melhores resultados de vendas da companhia em todo o mundo, quatro haviam sido obtidos pelo setor comandado por ele.

Na verdade, Mattos conta que nunca havia planejado fazer carreira nos Estados Unidos. Ele chegou a pleitear uma transferência para a subsidiária da Nova Zelândia, mas foi preterido por um colega local. “Era para eu ser gerente do time de armazenamento de dados da região da Ásia-Pacífico e Japão, mas no final do processo seletivo, os gestores julgaram que seria mais fácil aproveitar alguém do próprio país ao invés de trazer um executivo do outro lado do mundo”, comenta, resignado.

A oportunidade veio quando o então vice-presidente mundial de Armazenamento de Dados da HP veio ao Brasil para uma visita e acompanhou um pouco do trabalho de Mattos. Ficou maravilhado com o trabalho de vendas consultivas que o executivo fazia e logo efetivou um convite para juntar-se ao time de desenvolvimento de produtos na matriz.

O curioso é que por vários dias, Mattos foi absolutamente refratário ao convite do executivo da matriz da HP. “Eu não queria sair do Brasil, tinha acabado de casar, vivia um bom momento na carreira, estava estável financeiramente, nada me atraía em uma mudança para os Estados Unidos”, relata.

O executivo indiano da HP não se deu por vencido e depois de um ano de conversas, enviou a documentação de transferência para a matriz a Mattos, que acabou cedendo e decidiu partir para a experiência internacional, inicialmente por um período de dois anos. Está vivendo nos Estados Unidos há seis anos, inclusive tendo levado os sogros para apoiar a mulher.

Mattos ainda destaca que o imigrante deve sempre se adaptar à cultura local e não tentar impor a sua, pois torna o processo de adaptação mais difícil. “O brasileiro precisa entender que quando ele sair, vai ter que fazer um reset total. Se fizer um planejamento muito bem feito, vai conseguir imigrar com sucesso”, finaliza.

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