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Mercado imobiliário no sul da Flórida vive momento difícil, especialmente para a classe média

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Pode parecer um paradoxo, mas ao mesmo tempo em que ouvimos falar sobre a alta procura de milionários estrangeiros por imóveis no sul da Flórida, o segmento emite sinais de que não está bem, especialmente para a classe média, que vem encontrando sérias dificuldades para comprar ou até mesmo alugar na região.

Um dos principais motivos para esse momento confuso no mercado imobiliário no sul da Flórida pode ser explicado exatamente por uma mudança no padrão das construções. Após a crise do período 2008/2009, o segmento começou a se recuperar, mas com um fato inusitado: atraídos pelos bons preços, milionários de diversas partes do mundo passaram a investir na compra de casas de alto padrão na região. Em um primeiro momento, especialistas acharam que poderia ser algo temporário, mas a tendência se manteve, fazendo com que as construtoras, cada vez mais, passassem a atender a essa fatia do mercado, deixando de lado a classe média, que é muito importante para a economia local.

É verdade que o problema para a classe média adquirir um imóvel não está restrito ao sul da Flórida. O relatório “Attainable Housing: Challenges, Perceptions, and Solutions”, feito em conjunto pelo Terwilliger Center for Housing e pela firma RCLCO Real Estate Advisors, detectou que na última década, a indústria de construção civil americana praticamente deixou de fazer casas para a classe média, focando em atingir um público com padrão de vida mais alto e que deseja imóveis maiores e mais luxuosos.

Diante desse novo cenário, passou a ocorrer uma escassez de imóveis no mercado voltados a famílias com renda média de 80 a 120% da região do sul da Flórida. Para se ter uma ideia, essa renda média é atualmente de US$ 54.900.

Aluguéis também estão altos
Encontrar um imóvel para alugar no sul da Flórida por um preço acessível também não é mais uma tarefa fácil para a classe média, tanto que alguns especialistas e organizações voltadas para os direitos dos inquilinos sugerem que seja feito algum tipo de regulamentação para que o valor do aluguel não suba tanto de um ano para o outro. Entretanto, a ideia esbarra em estatuto estadual, que veta qualquer controle de preço sobre uma atividade comercial.

Mesmo com essa barreira na questão de limitar o preço dos aluguéis, a discussão continua e os defensores da tese afirmam que se nada for feito, uma séria crise poderá se acentuar em breve, atingindo não só os que buscam uma moradia, mas os locadores e as construtoras.

O Governo poderia subsidiar moradias?
Em algumas regiões da Europa, os governos municipais, estaduais ou federais costumam subsidiar imóveis para a classe média. Na belíssima Viena, por exemplo, mais da metade da população vive em unidades habitacionais públicas, uma realidade bem diferente dos EUA, onde menos de 1% da população tem esse tipo de ajuda.

Especialistas acreditam que essa medida não seria viável nos EUA, mas que no caso de Miami e do sul da Flórida é perfeitamente possível fazer o que muitas cidades americanas já fazem, ou seja, estimular construtoras a destinarem uma parte de seus empreendimentos a moradias populares, agilizando, em troca, ao máximo todas as licenças necessárias. É uma solução intermediária para o atual panorama, que fará com que cidades como Miami não percam força de trabalho para outras cidades, as construtoras não fiquem sem demanda em um futuro próximo e os locatários tenham certeza de que não verão seus imóveis vazios.

A única coisa certa nesse momento de tantas incertezas é que se não houver um debate franco seguido de uma grande reflexão entre autoridades e construtoras, uma grave crise no segmento imobiliário no sul da Flórida se avizinhará.

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