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Formados no Brasil: Como exercer a Medicina ou a odontologia nos EUA

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Muitos brasileiros que cursam ou já se formaram em Medicina ou Odontologia, nutrem o desejo de poder exercer a profissão nos Estados Unidos, afinal de contas, trata-se de um país com uma qualidade de vida elevada e um potencial econômico pujante. Entretanto, a falta de informação correta e a percepção de que o processo para poder atuar profissionalmente aqui é praticamente impossível, faz com que muitos desistam da ideia. Mas, conhecendo os passos e tendo determinação, pode-se conquistar uma vaga na área da saúde americana.

Etapas para poder exercer a medicina nos EUA

Com 20 anos de especialização em cuidados com imigrantes da área de saúde, o advogado Shayne Epstein, do Grupo Epstein, nos demonstrou o passo a passo a ser feito para que um médico brasileiro possa atuar nos Estados Unidos.

Primeiro é preciso saber se a escola de medicina do profissional brasileiro está listada no diretório mundial de escolas de medicina para atender à Comissão Educacional para Graduados em Medicina Estrangeira (ECFMG).“O Exame de Licenciamento Médico dos Estados Unidos não é apenas mais um teste. Ao contrário de outros exames, ele avalia de forma abrangente o quão bem você pode aplicar suas habilidades, conhecimentos e atitudes à vida real, em cenários centrados no paciente. Cada etapa é tomada em um ponto diferente em sua carreira médica e requer diferentes níveis de preparação”.

Na etapa 1 do USMLE (The United States Medical Licensing Examination), é realizado um exame de computador com duração de oito horas e enfatizará na anatomia, ciência comportamental, bioquímica, microbiologia, patologia, farmacologia e fisiologia. Para se inscrever é preciso acessar o prometric.com.

Na etapa 2, é realizado um exame de múltipla escolha que testa o conhecimento médico e a ciência clínica essencial necessária para o atendimento ao paciente. Possui duração de nove horas e apresenta assuntos aleatoriamente. O candidato será testado em conhecimento clínico e habilidades clínicas. A inscrição também é feita pelo prometric.com.

Na etapa 3, é realizado um exame computadorizado de dois dias, e concentra-se principalmente no gerenciamento do paciente, avaliando a capacidade do candidato de avaliar informações de histórico e exame físico, solicitar testes de diagnóstico, selecionar terapias iniciais e muito mais.

Depois de passar o passo 3, o candidato pode praticar sem supervisão. Precisa, claro, Para ter passado antes pelas etapas 1 e 2, bem como se inscrever e ser aceito em um programa de educação médica de pós-graduação nos EUA. A duração e o custo desses programas variam de acordo com a escola e geralmente duram no mínimo um ano e, em muitos casos, são significativamente mais longos. Para se inscrever é preciso acessar fsmb.org.

Tempo para poder atuar

O doutor Epstein afirma que não é possível estabelecer com precisão o tempo que um médico ou dentista brasileiro conseguirá atuar nos Estados Unidos após começar o processo, entretanto, não é rápido. “O programa de educação de pós-graduação, USMLE e o patrocínio de imigração pode levar anos e ser muito caro. Muitos médicos e dentistas consideram concluir o processo de imigração em uma capacidade de assistência de nível inferior. Obter o greencard primeiro é contra-intuitivo, mas geralmente é mais rápido e muito mais barato. Nesse cenário, após obter o greencard e trabalhar para o patrocinador, os médicos estrangeiros podem seguir as etapas acima como um residente permanente legal qualificado para bolsas e empréstimos nos EUA”.

Erros que não podem ser cometidos

Em um processo tão rigoroso, o que todos devem evitar são erros que atrapalharão ou impedirão de vez que possam trabalhar legalmente como médico ou dentista aqui. Entre esses erros, destacamos: Violações de imigração, como trabalho não autorizado; falta de fundos; ter estudado numa faculdade de medicina estrangeira não credenciada; e, o mais grave de todos, tentar exercer a profissão sem estar licenciado, o que é considerado crime na maioria dos estados americanos.

Médica brasileira conseguiu realizar seu sonho

Dentre os vários exemplos de profissionais brasileiros de medicina que vieram do Brasil e conseguiram atuar profissionalmente, destacamos o caso da clínica geral Cindy Shaffern que está há 15 anos trabalhando como médica nos Estados Unidos, contando três anos como tempo de residência médica. “Eu me formei em Medicina em São Paulo, em 2003 e no ano seguinte, vim para cá, primeiro me adaptei, me casei e comecei a estudar para o USMLE em 2005, no ano seguinte, fiz todas as provas, e em 2007, comecei a residência médica no Mount Sinai Medical Center de Miami Beach”.

A doutora Cindy destaca que não há diferença entre os exames feitos para americanos ou para estrangeiros. “O processo é o mesmo, a única diferença é o órgão que aplica, mas os testes são iguais”.

Dra. Cindy Shaffer – Clínica Geral

Para atuar como dentista

Ao contrário do processo para validar o diploma de Medicina de um estrangeiro onde as provas são centralizadas, no caso da Odontologia, as diretrizes são definidas por cada estado, podendo ocorrer grandes variações. Além disso, o caminho é mais longo e árduo.

As etapas são diferentes, a primeira é ter que comprovar sua proficiência na língua inglesa, fazendo um exame, o mais conhecido é TOEFL.

Em seguida, o dentista brasileiro ou de outra nacionalidade precisa validar todos os documentos ligados à sua formação (graduação, especializações, mestrados, voluntariados e experiências de trabalho), quando mais detalhes, melhor.

O próximo passo é fazer a prova do INBDE (Integrated National Board Dental Examination) que funciona mais ou menos como o exame da OAB no Brasil para que formados em Direito, possam advogar, a diferença nesse caso, é que é para saber se o candidato está apto a exercer a Odontologia nos Estados Unidos.

Mas ainda é preciso passar pela etapa mais complicada, a do Advanced Standing Program que consiste em praticamente refazer o curso nos Estados Unidos, tendo duração de dois a quatro anos, dependendo da universidade. Os custos são altos e variam muito em cada instituição.

Finalmente, a última etapa é realizar um exame regional, aplicado pelo estado em que deseja trabalhar. Aprovado nesse exame, o dentista finalmente poderá exercer a profissão.

A dentista Daniela Modesto, que também se formou no Brasil há 24 anos e chegou a exercer a profissão por um ano lá, conta que o processo para trabalhar aqui foi bem complicado, pois na época (1999), as informações eram muito escassas sobre o processo de revalida e o acesso à internet era bem limitado. Havia ainda tinha outro problema: “Meu inglês era gramaticalmente correto para escrita e minha leitura era boa, mas minha conversação era muito pobre e tímida”.

Seu primeiro passo foi trabalhar sua conversação e ir atrás de dentistas que estavam ou estiveram na mesma situação que a sua. “Através deles, descobri que tinha que traduzir meu histórico universitário e depois disso validá-lo”.

Dra. Daniela Modesto – Dentista

A doutora Daniela se preparou para as provas e conta que foi bem puxado. “Não havia cursos preparatórios on-line e as provas eram em papel oferecidas somente duas vezes ao ano (julho e dezembro) tive que encará-las como vestibular, para isso me muni de livros preparatórios e entre a minha jornada de oito horas como assistente dental e as poucas horas de sono que me restavam para dormir, eu estudava. Época dura, pouco sono, pouco dinheiro e muita garra para passar de primeira, mas consegui”.

A terceira etapa para a brasileira foi buscar em diversas universidades as que tinham programas para dentistas estrangeiros. “As que selecionei foram a Universidade da Flórida (UF), da Pensilvânia (UPEN), de Boston (BU) e TUFTS University. Aplicações com critérios difíceis que envolviam prova de currículo, entrevista com bancada de professor e por último um bench teste onde testavam minhas habilidades manuais. Fui aceita primeiro em Boston, mas a minha primeira escolha era a Flórida, comecei a cursar enquanto não tinha a resposta daqui, foi quando recebi minha tão esperada carta de aceitação para a Universidade da Flórida. Tempo de celebrar e buscar empréstimos para custear o tão sonhado curso. Fiz dois anos de revalidação sendo que um foi em Gainesville e o outro numa clínica satélite em Hialeah, onde pude aprender e apurar um meu espanhol. Tempo de aprendizado e muito trabalho”.

“Hoje, sempre que posso , tento ajudar àqueles, que estão na situação que estive e tento motiva-los a seguir, pois se você ama a Odontologia, não deve ceder à barreira da revalidação. Não é fácil, mas não é impossível. Somente se programe corretamente e use todos os recursos que a internet proporciona para que a partir do Brasil, você possa ir se preparando para todas as etapas a serem vencidas”, finaliza a doutora Daniela.

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