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Velho Companheiro – Por Nilson Lattari

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Por Nilson Lattari

Existem momentos secretos quando a noite cai, e nossa cabeça rola no travesseiro que ele, velho companheiro de jornada noturna, com sua fronha, enxuga nossas lágrimas ou, carinhoso, recebe nosso sorriso de vitória.

A noite e o seu manto escuro são o início de um filme mudo que começa a se desenhar em nossa mente. Somos heróis, relembramos o passado, reconstruímos tudo, rimos escondidos, choramos lágrimas amargas de arrependimento ou nos entregamos aos pedidos extremos de pedir que pare o mundo para poder descer. E também nos sentimos protegidos depois de uma aventura mal sucedida.

Choramos, nos arrependemos de algo, prometendo que quando chegar a manhã consertaremos nossos erros, ou então nos organizamos e pensamos como enfrentar o desafio de onde não podemos fugir. E estratégias surgem em nossas mentes, um jogo de xadrez mental que nos mantém despertos.

A vida se interrompe na noite. Cabeça no confessor macio que nos acomoda, nos aflige, nos desconforta, nos tira o sono e a chance de esquecer ouvindo o tique-taque avançar até o compromisso inadiável que não se esvai.

É a luz aberta dos olhos diante da escuridão entregue aos barulhos escondidos da casa, o pingo da torneira, pingar inexistente durante o barulhento dia, o som dos vizinhos nos devaneios da noite, um bater de portas longínquo, o latir de um cachorro perdido na rua em busca de um lugar para dormir também, ou daquele que, protegido em uma casa, afugentou o companheiro que vaga pelas ruas sozinho. Democrático ele acolhe a todos.

É uma luta sem parcerias e o companheiro da noite, o travesseiro, esquecido durante o dia, nos recebe com sorrisos ou lágrimas e nos enxuga a alma, nos excita, companheiro na vitória ou na derrota, conselheiro da melhor solução a ser tomada, agora com a cabeça fria a reestruturar a decisão seguinte.

Velho travesseiro de fronhas limpas e macias, companheiro na viagem do trem noturno, confidente que até mesmo guarda nas reentrâncias os cheiros, os fios de cabelo dos amantes que cedo se foram e nos deixaram lembranças.

Um dia ele estará velho e murcho de tanto suportar nossas dores, e o travesseiro, velho companheiro, cederá lugar a um novo parceiro, pronto a suportar novos devaneios e a consertar os enganos.

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