Dimensions por Carlos Alves (Mix Media on Wood)
Arte Jade Matarazzo

O que os artistas aprenderam?

Ao mesmo tempo em que os espaços culturais precisam adotar o fechamento como medida de combate à Covid-19 e eventos são adiados pelo mesmo motivo, artistas têm tido dificuldade de encontrar uma fonte de renda. Por essa razão, estão recorrendo às redes sociais e outras formas de comunicação e exposições digitais.

A tendência hoje tem sido de que muitos artistas têm disponibilizado aulas e apresentações gratuitas, o que pode ser positivo para o público e, ao mesmo tempo, um obstáculo para os artistas que poderiam conseguir remuneração ensinando o que sabem e garantir parte do sustento durante a pandemia.

Em meados de maio, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) informou que estima um fechamento definitivo de 13% dos museus de todo o mundo encerrando suas atividades, em decorrência das consequências da pandemia de Covid-19. Já naquele período, mais de 85 mil instituições, que representam 90% do total (95 mil), haviam suspendido visitações, a fim de evitar contaminações pelo novo coronavírus, e parte delas buscava se adaptar para manter exposições online.

No comunicado, a Unesco destacou que apenas 5% dos museus localizados em países da África e países insulares em desenvolvimento estavam conseguindo manter atividades em ambiente virtual. Como essa situação, existem também outras que indicam que o segmento de cultura está sob ameaça, não apenas sob o ponto de vista de circulação do conhecimento e preservação do patrimônio cultural, mas de sustento dos profissionais do ramo.

De acordo com a Unesco, a falta de receita dos museus afeta também os funcionários dessas instituições e os artistas, muito deles autônomos ou trabalhando com “contratos precários”. Monica Mendes, renomada artista em Miami conta que muitas vezes sentiu que sua lista de projetos domésticos e distrações criativas haviam se esgotado. E relata que a sua arte e seu trabalho a mantém ativa e tem salvo sua sanidade!

Monica Mendes tem 3 projetos em andamento. Um deles, “Catopezera, O Som Das Cores” está pronto, e deveria ter sido já apresentado este ano em sua exposição individual, mas por causa da pandemia foi transformado em uma exposição virtual . Os outros dois projetos estão em andamento pois por felicidade a artista já havia começado o processo de criação com as viagens e fotos para ambos. Tais planos estavam previstos para o ano de 2021 e 2022 respectivamente o que ainda não se sabe se será possível. Além disso, a própria pandemia foi motivo de inspiração o que resultou em 5 novas obras. “Sempre digo que a arte salva e nada melhor que experimentar uma pandemia pra me certificar disso!”, conta Monica.

Ceci Thibes e Fernanda Dabus, juntamente com Monica Mendes e outras artistas do Atelier Without Borders tem trabalhado em um belo projeto em parceria com a Artefacto criando Tappos que estão sendo pintados e irão a leilão beneficente contribuindo para o Miami Câncer Center. Uma maneira incrível de passar a pandemia ajudando ao próximo e alegrando a casa de quem puder adquirir estas obras de arte!

Tappos pintados para a Artefacto em benefício do Miami Câncer Center

Carlos Alves de Miami comenta que a pandemia o ajudou a olhar mais para o seu trabalho e lhe dar mais valor. Descobriu que é bom naquilo que faz. Aprendeu a ser mais criativo. Aprendeu a ser um bom empresário acessando a internet, assistindo a conteúdos no YouTube e lendo alguns livros. Conta ainda que aprendeu a olhar o trabalho do próximo, a enxergar melhor dentro de si e ver seu potencial. O artista diz que não sabia que era capaz de fazer tantas coisas ao mesmo tempo. Até aumentou as vendas de seu trabalho, à medida que foi estudando o mercado na quarentena, como estava com mais tempo disponível.

“Percebi que meu trabalho realmente vale a pena. Acabei aumentando os preços de minhas obras, sendo mais justo comigo mesmo. Comecei a me importar mais com meu trabalho”. Ele sente que as pessoas enxergaram isso e começaram a dar valor também. Também conta ainda que aprendeu a dar valor ao abraço, ao carinho e às pessoas.

Já Luís Senosian conta que nem vai dizer que tem mais tempo, pois parece que a tecnologia o fez ficar ainda mais ocupado do que antes. Mas o fato de poder estar em casa, não pegar trânsito, não ter o deslocamento, o faz ter um tempo que passa diferente em sua vida e isso para ele está sendo potencialmente criativo.

Luís conta que está tentado se aprimorar neste ano: esta estudando violão, voltando a estudar canto, cuidando do corpo, coisas que antes não tinha condições (ou achava que não tinha) de viver quando a vida estava ‘normal’. “Essa nova experiência com o tempo está mexendo muito comigo e tenho certeza de que vai reverberar, de certa forma, no meu trabalho”.

Senosian também conta que tem sido uma experiência de ‘antes’ e ‘depois’. “Não vamos voltar ao que éramos, na minha opinião. A minha sensação é que estamos numa grande transição planetária, uma transição de era, mesmo. Tenho tentado aprender com os tempos: o do passado, do presente e do futuro. Sem negligenciar nenhum e tentando respeitar e escutar todos.”

SEASONS de Carlos Cesar Alves
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