Arte Jade Matarazzo

Muito mais que tons de cinza

Carlos Cesar Alves é um artista multifacetado. Sensível, inteligente, espiritualizado e dono de um grande talento, ele encara a vida com uma força artística e otimismo inigualáveis.

O destino não deixou que Carlos escondesse seu talento artístico por trás de uma carreira executiva de sucesso. Apesar de ter trabalhado durante muito tempo em empresas como a GM do Brasil e o Citibank, em Miami, o artista acabou sendo descoberto pelo dono de uma galeria de arte em um jantar com amigos, depois que resolveu pintar seus próprios quadros para as paredes de sua casa nova.

Hoje, as obras de Carlos Alves encontram-se em galerias onde estão trabalhos de gigantes das artes como Salvador Dali, Miró, Chagall, Botero e Alexander Calder, entre outros.

Mas nem sempre foi assim. Desde criança, Carlos criava tapeçarias (pequenos tapetes com fios coloridos) para vender e, depois, já na adolescência passou a esculpir árvores de materiais raros e inusitados que formavam uma combinação única e harmoniosa. Ele sempre gostou de criar obras com materiais novos e se descreve como um “inovador experimental”.

O artista brasileiro também superou um grande obstáculo: o daltonismo. Carlos enxerga apenas vários tons de cinza, e por isso teve de desenvolver um método próprio para aplicar as cores desejadas em suas obras. Entre essas técnicas, ele começou a usar pequenas garrafas de plástico e etiquetas com os nomes de cada cor para fazer as combinações e misturas necessárias para alcançar os tons desejados. Ele acredita que ser daltônico é até uma vantagem sob o ponto de vista de que essa condição o liberta das limitações de quem enxerga normalmente as cores e acaba seguindo apenas os padrões acadêmicos da pintura.

Carlos descreve seu trabalho como a representação do exato momento que ele está vivendo, uma sagrada conexão com o universo, como ele mesmo diz. É um momento em que o artista está em transe. Ele cria enquanto recebe flashes de imagens em sua mente e isso faz com que, automaticamente, o seu cérebro comece a processar o material que ele vai usar, tornando esse flash uma realidade.

As obras desse artista brasileiro podem ser encontradas em vários lugares do mundo. Em Miami, Carlos está expondo atualmente em diversas galerias – entre elas, a Opera Galery, em Bal Harbour, e a San Paul Art Gallery, em Wynwood, onde as obras foram apresentadas nas semanas do Art Basel, Spectrum e Wynwood Art.

Fotos: Divulgação

 

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