Arte

Línea Merín resgata a fronteira hídrica que une Brasil e Uruguai

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por José Roberto Luchetti

O Uruguai é praticamente uma “ilha” limitado à leste pelo Atlântico, ao sul pelo Rio da Prata, ao norte e à oeste por uma série de rios e lagunas, sendo a maior do país a Mirim ou Merín, em espanhol. A lagoa Mirim é a segunda maior do Brasil ficando atrás somente da dos Patos. A Línea Merín que divide, ou melhor une as duas nações, serviu de inspiração para uma exposição do artista plástico uruguaio, Martín Pelenur, que acaba de ser inaugurada no Museu de Arte Contemporânea Atchugarry – MACA, perto de Punta del Este.

A lagoa Mirim e os rios que desembocam nela eram de navegação exclusiva dos brasileiros por conta de um tratado assinado em 1851, um pouco depois da independência uruguaia em 1825. Mas no início do século XX uma comissão mista, composta por delegados uruguaios e brasileiros, revisitou o antigo acordo e assinou um novo documento permitindo aos uruguaios direitos iguais aos recursos hídricos, incluindo a navegação por toda Línea Merín.

O novo tratado de 1909 passou a determinar, em português da época, a utilização comum das zonas aquáticas fronteiriças: “Faço saber aos que a presente carta de ratificação virem que entre os Estados Unidos do Brasil e a Republica Oriental do Uruguay, pelos respectivos Plenicpotenciários, foi concluido e assignado na cidade do Rio de Janeiro, aos trinta dias do mez de outubro de mil novecentos e nove, o Tratado do teor seguinte, modificando as fronteiras dos dois paizes na Lagôa Mirim e rio Jaguarão e estabelecendo principios geraes para o commercio e navegação naquellas paragens”.

Martín Pelenur resgata essa história por meio de uma exposição sensorial com um espelho d’água no centro da sala, rodeado por telas dele e projeções. O próprio Pelenur navegou por essas águas para registar imagens e sons, que estão reproduzidas no MACA e inspiraram as obras e a exposição que têm curadoria de Martín Craciun. Há mais de 15 anos, o artista transfere o seu fascínio por mapas e geometria em obras que transcendem a mera representação de uma experiência. “Com sua abstração e rigor, Pelenur estimula a compreensão da pintura como ação e pensamento, a olhar para trás sobre o território e afirmar a condição universal dessas histórias que tentarão desafiar a cartografia do seu estado mais visceral”, resume o descritivo da exposição.

Línea Merín não é a divisão geográfica entre dois países, mas o fio que une povos inseridos na América Latina e com desafios e trajetória comuns. Uma exposição que resgata as reflexões de um outro uruguaio, Eduardo Galeano, sobre a história e o presente na busca por um futuro diverso. “Há apenas um lugar onde o ontem e o hoje se encontram, se reconhecem e se abraçam. Esse lugar é o amanhã”, definiu Galeano. Um movimento autêntico contrário ao massificado e ao constante efeito de manada da humanidade.

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