Foto: Divulgação Gabriel Duran
Entrevistas Esporte

Gabriel Duran conta detalhes sobre sua preparação para a Swissman

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A Swissman é considerada uma das maiores provas de triathlon do mundo, onde apenas 200 vagas são concedidas, a largada acontece nas palmeiras do Sul da Suíça, passando pela região dos Alpes, até chegar no gelo eterno do Jungfrau, cada atleta é responsável pela hidratação, alimentação, logística e treinamento. Gabriel é um dos 5 brasileiros que irá participar da prova que tem 24h de duração, até hoje apenas 8 brasileiros participaram e metade não concluiu. A prova vai acontecer no dia 26 de junho.

Por causa da pandemia, a data da prova foi adiada, dificultando assim o treinamento dos participantes, e se engana quem pensa que o preparatório é fácil, Gabriel revela detalhes intensos de treinos de até sete horas por dia.

“A preparação para a prova começou em dezembro de 2019 porque era pra ser em junho de 2020, mas por causa da pandemia foi adiada para Junho desse ano. Chegou em março de 2020 e foi decretado lockdown, estávamos no auge do preparo e como foi cancelada teve todo aquele processo de não poder treinar, não poder sair de casa, mudar toda a rotina, então isso foi um grande desafio também para todos os atletas que vão fazer essa prova.

Bom, a prova foi remarcada para junho desse ano, então comecei os treinos fortes novamente em dezembro de 2020.

A preparação de uma prova dessa vai muito além do treinamento físico. A preparação começa na atitude do dia a dia, na alimentação, envolve toda uma disciplina para você conseguir realizar, então não é só o treino, a mente tem que estar muito confiante.

É uma preparação de no mínimo uns seis, sete meses, para fazer a prova bem. Não tem nenhuma alimentação específica, é individual para cada atleta, o ser humano é muito único, então de acordo com a minha experiência de outras provas, vou adaptando a minha alimentação, mas claro estou com uma nutricionista me auxiliando numa alimentação. Agora a gente entrou numa dieta em que eu tenho que perder um pouquinho de minha massa muscular até maio. Para mim sono não muda, porque eu classifico o sono como uma das coisas mais importantes, é claro que os treinos sobrecarregam mais o trabalho do dia a dia, eu procuro dormir cedo e acordo às cinco e meia, seis horas da manhã todos os dias porque os treinos exigem essa disciplina, o dia da prova também a largada será quatro e meia da manhã.”

A rotina de exercícios é muito intensa e requer extrema dedicação, o atleta conta como está sendo sua rotina semanal de treinos:

“Os exercícios do treinamento são os esportes em si, o que a gente acrescenta é um pouco de musculação e treinamento funcional para melhorar nossa performance. Então durante a semana nós dividimos dois treinos por dia e aí vai mesclando natação com bike, bike e corrida, só corrida, ou então natação e musculação, corrida e musculação.

Então, dois treinos por dia de segunda a sexta, e sábado a gente faz um ‘longão’ que é um treino só de bike que tem duração de 5, 6, e até 7 horas de bike, ou bike + corrida que também tem essa duração, mas logo em seguida de um pedal bem duro, bem desafiador, a gente sai para correr, então aos finais de semana os treinos costumam durar de seis a sete horas. Eu também pratico muito a ioga e a meditação no meu treinamento pra ganhar flexibilidade e alongamento, pra mim ajuda muito na recuperação muscular.”

Durante a quarentena, estamos passando por diversos períodos de lockdown com fechamento obrigatório de locais de treino, fora a necessidade de não estar em possíveis ambientes que possam ter aglomerações para não adquirir o vírus da COVID-19 e toda essa dificuldade reflete na rotina preparatória de Duran:

“Essa quarentena deu um gostinho especial ainda maior pra realizar essa prova, dobrou o desafio, porque a gente começou a treinar aí teve cancelamento de prova, você perde todo o trabalho que  estava feito porque é muito esforço e aí é cancelado, então a gente perde muita coisa que já treinou, esculacha mais na alimentação deixa um pouquinho de lado, a vontade já não é mais a mesma e tudo isso a gente tem que recuperar depois, então começamos a treinar de novo, isso aumentou muito desafio e fora que também todas essas restrições, estou fazendo treinos longos de 150 km, com 7h00 de treino sozinho de bicicleta, muitas vezes quebra alguma coisa na bicicleta no meio do caminho, pneu fura… Muitas vezes natação o que eu teria que nadar em mar aberto, represa, estou fazendo com elástico amarrado na minha cintura e em uma estrutura e ai eu fico nadando dentro da piscina no mesmo lugar e fico ali por horas, tudo se torna mais desafiador, essa prova vai ser um momento histórico e único para todos os atletas.”

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