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Ditadura militar é tema de debate em simpósio organizado pelo CNPq

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Livro “60+4. Outros Anos da Mesma Crise” será lançado no X Simpósio Nacional de História Cultural

Entre os dias 25 e 28 de outubro acontece o X Simpósio Nacional de História Cultural, organizado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), trazendo um seminário temático sobre a imprensa como objeto de pesquisa, o qual terá presença do autor de “60+4. Outros Anos da Mesma Crise”, Paulo Sérgio Silva, mestre em História. A obra traz à tona uma análise dos quatro anos que antecedem o dia 1º de abril de 1964, lançada em agosto deste ano no formato digital pela editora e-Manuscrito. 

O evento será realizado em formato virtual  e quem desejar participar pode se inscrever até o dia 25/10/2022 pelo site: https://www.even3.com.br/xsndhc2022/. A inscrição custa cerca de R$23. O autor participará no dia 25/10 (terça-feira) às 14h para comentar as reflexões trazidas pela pesquisa realizada para compor a obra.

O livro é resultado da dissertação de mestrado de Silva pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), defendida em 2013, e conta com diversas análises que se confundem com o contexto atual. A obra ganha relevância no momento em que vivemos, por registrar naquela historicidade acontecimentos próximos do contexto polarizado atual, segundo Silva. 

“É possível comparar os últimos anos com o período entre 1960-1964, porque o livro transpassa por vários temas que continuam atuais, por exemplo, o grande temor da reforma agrária; do comunismo; das políticas de demarcação de terras, entre outros. Tudo isso estava presente naquela época, assim como a polarização entre capitalismo e comunismo na atualidade”, comenta o historiador.

O livro possui o recorte temporal conduzido até abril de 1964, quando se deu a ocupação do poder pelos militares, mediante a aprovação do Ato Institucional nº 1. No entanto, é possível constatar que ecos dos acontecimentos, ocorridos nas próximas décadas, repercutem até hoje. 

Quais os paralelos com a realidade atual?

Em 2022, um relatório elaborado pela UniRio apontou um crescimento de 335% nos casos de violência por motivação política nos últimos três anos. No 1º semestre deste ano, 214 casos foram contabilizados e 45 lideranças políticas foram assassinadas. 

Buscando atenuar a questão, a Defensoria Pública da União (DPU) estabeleceu o Observatório de Monitoramento e Combate à Violência Política até o final das eleições de 2022, para que casos de violência desse tipo sejam denunciados. 

Na obra, Silva aborda a polarização entre 1960-1964 nos jornais brasileiros da época. “Por meio da releitura de manchetes e reinterpretação de imagens do fotojornalismo que compuseram algumas das primeiras páginas/capas dos diários paulista e carioca, Folha de São Paulo e Última Hora, o livro lança luz sobre o sombroso e germinal pré-projeto ditatorial sustentado pela direita conservadora”, explica ele. 

Segundo Silva, a literatura acerca da ditadura cívico-militar é bastante vasta e, com sua obra pretende complementá-la, trazendo fatos do panorama socioeconômico e cultural da história brasileira ali vivida. 

“No livro, não voltamos a 1954. Usei o ano de 1960 como referência de ponto de partida para destacar a abordagem econômico-financeira, a dependência ao capitalismo estrangeiro, o atraso tecnológico-industrial, e o endividamento do país – no início dos anos 60, cerca de R$1,8 bilhão de dívida externa”, finaliza.

Serviço “60+4: Outros Anos da Mesma Crise”

A obra já está disponível nas Livrarias Digitais, como Amazon e Livraria Cultura (R$25 – R$30), enquanto a edição física pode ser comprada pela Livraria Martins Fontes (R$58,00).

Sobre Paulo Sergio Silva:

Paulo Sérgio Silva é historiador e dá cursos, palestras e aulas por várias instituições nacionais. Autor de livros didáticos para cursos preparatórios em universidades e concursos públicos, sobre História do Brasil e Atualidades. Possui Mestrado em História Social, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no qual trabalhou por meio de análises imagéticas do fotojornalismo, os acontecimentos sustentadores do golpe cívico militar de 1964, no Brasil.

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