Nilson Lattari

Crônica: “Copia e cola”

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Por Nilson Lattari

Algumas vezes ajuda, outras vezes emburrece. Passava um dia desses em frente a uma biblioteca e lembrei quando, nos trabalhos escolares, tinha que entrar em uma delas, buscar livro por livro, tentando adivinhar onde estava o assunto que eu queria. Claro, havia as dicas de colegas anteriores para buscar no livro X, capítulo Y o assunto, perfeitamente discriminado. Durante algum tempo fiz isso, e hoje, faço uma associação com o copia e cola.

Era um hábito, uma preguiça ou negligência?

Até que um dia decidi não pedir mais a “colaboração” e resolvi procurar por minha conta. Era uma prova na faculdade e queria fazer alguma coisa diferente. Foi rebuscando que encontrei uma tese, escrita anos atrás que falava do assunto que eu queria. Era uma abordagem muito interessante, uma forma de discorrer sobre o assunto diante do texto que iríamos analisar.

Não foi com surpresa que ganhei uma nota máxima e elogios. Tudo bem, fiz um tipo de copia e cola, mas saí do lugar-comum. E a diferença foi essa: sair do lugar- comum.

Temos o hábito de repetir, principalmente quando vemos alguns ensinamentos divulgados por influencers. Será que repetir a fórmula para ficar rico, para estudar melhor, para dormir melhor é a melhor maneira de conseguir o objetivo? É como ler uma fonte que se baseou em outra e que no final da escadaria encontra a fonte original. Se podemos ler e ouvir o original seria muito melhor. Tiraríamos as nossas conclusões por conta própria.

Não consigo imaginar apresentar um trabalho copiando, ipsis litteris, as dicas da internet. E o copia e cola é, exatamente, isso, letra por letra.

No meu caso, seria muito difícil que a tese esquecida no meio de tantos livros fosse descoberta. Mas na internet, a facilidade está ao alcance de um botão e a conferência e checagem também.

A maior lição que a internet proporciona é que a originalidade perde todo o sentido, a partir do momento que muitos não se preocupam com esse hábito repetitivo de colocar a busca no Google, encontrar, copiar e colar.

Repetir se torna um hábito e, ao mesmo tempo, emburrece porque não questiona e não é questionado. Cumpre-se uma tarefa sem grande esforço e se imagina partir para o abraço.

Fiquei um tempo olhando aquela biblioteca e imaginando o quanto de coisa existe ali, e nunca será acessada. Talvez por alguém teimoso que, um dia, resolva romper com o copiar e colar e resolva não repetir velhos hábitos novos, e se tornar a grande diferença. O gosto talvez o cative para criar alguma coisa nova e retumbante e que será esquecida no futuro no fundo de uma biblioteca, para ser acessada por outro estudante querendo sair do lugar-comum.

Photo by Kelly Sikkema on Unsplash

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