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Jovens em tratamento oncológico podem sonhar em ter filhos

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Medicina reprodutiva apresenta solução para preservar óvulos e sêmen; especialista da clínica Origen explica melhor os procedimentos

Muitos homens e mulheres jovens e em idade fértil têm apresentado diagnóstico de câncer. Muitos deles, ainda sem filhos, se deparam com a dúvida e angústia de saber se poderão realizar o sonho de serem pais e mães após passar pelo tratamento oncológico. Definitivamente, não é um momento fácil: descobrir a doença, avaliar e definir os tratamentos e ainda ter clareza para pensar sobre uma futura gravidez. Mas, para quem está vivenciando essa situação, jogar luz sobre o tema é decisão fundamental. 

Para se ter ideia, as estimativas de incidência de câncer em homens para 2020 (última disponível) feitas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicaram 65.840 novos casos de câncer de próstata; 20.540, de cólon e reto; 17.760, de traqueia, brônquio e pulmão; e 13.3260 novos casos de câncer de estômago. Para as mulheres, as projeções do Inca indicaram 66.280 novos casos de câncer de mama; 20.470, de cólon e reto; 16.710, de colo do útero; e 12.440, de traqueia, brônquios e pulmão.

Analisando dados disponíveis do Atlas da Mortalidade do Inca, numa série histórica de 30 anos – período de 1979 a 2019 – é possível observar uma linha crescente de mortalidade em decorrência dos tipos de câncer listados acima em mulheres de 18 a 44 anos (presumidamente em idade fértil). Em 1979, o Inca registrou 1.783 mortes de mulheres nessa faixa etária por um dos tipos de câncer acima; em 1989, foram 2.499 óbitos; na década seguinte, 3.494; em 2009, 4.376; e dez anos após, em 2019, 5.642. Um crescimento de 316,4%.

Na opinião do diretor da clínica Origen, Marcos Sampaio, num cenário de diagnóstico de câncer em mulheres e homens em idade fértil, é fundamental que o oncologista mencione as opções disponíveis para se preservar a fertilidade.

“O ideal é que essas pessoas tenham conhecimento de que existe a viabilidade de se preservar óvulos e sêmen, ou até mesmo o embrião, antes do tratamento de quimioterapia, por meio da medicina reprodutiva. Essa opção pode se tornar um alento para essas pessoas, inclusive para estimular positivamente seu estado emocional e ajudar na sua qualidade de vida neste momento, uma vez que elas vão enfrentar momentos difíceis”, comenta.

Criopreservação – Um dos tratamentos mais usuais em casos de mulheres e homens com câncer é a criopreservação de óvulos e de sêmen, ou seja, o congelamento, para um futuro tratamento de fertilização in vitro. No caso da mulher, o procedimento consiste na estimulação do ovário com medicamentos e retirada dos óvulos sob anestesia local. A recomendação é que o tratamento tenha início antes da quimio ou radioterapia.

No caso dos homens, o método de criopreservação tem objetivo similar: garantir o potencial fértil daqueles que vão se submeter a procedimentos que possam comprometer a fertilidade. Antes da coleta, são solicitados os exames de HIV 1 e 2, HTLV-1 e 2, Hepatite B e C, Sifilis e Zika virus. A coleta pode ser realizada em casa e deve ser feita por masturbação, obedecendo a orientação de até três dias de abstinência sexual. O número de coletas fica a critério do médico e embriologista responsáveis pelo paciente.

Após a coleta, os gametas femininos são submetidos à técnica de vitrificação (congelamento), que apresenta a maior taxa de sucesso na atualidade. “Na prática, o método faz uso de substâncias crioprotetoras, que impedem a formação de cristais de gelo na estrutura das células no momento da solidificação pelo nitrogênio líquido. Dessa forma, óvulos, ou embriões ficam inteiramente preservados, podendo ser descongelados posteriormente, e utilizados num procedimento de fertilização in vitro (FIV)”, explica Marcos Sampaio.

Ética médica – Todo o processo de retirada, manipulação e congelamento de óvulos na clínica Origen segue rigorosos procedimentos biomédicos, éticos e de segurança em reprodução assistida. A clínica é certificada pela Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (RedLara), instituição científica e educacional, que agrupa mais de 90% dos centros que realizam procedimentos médicos na América Latina. Mantém em seu quadro profissionais médicos e embriologista altamente capacitados – o médico Marcos Sampaio é graduado pela Monash University, Austrália, e phD pela Universidade de Valencia, Espanha; Rodrigo Hurtado, tem doutorado pela UFMG; a embriologista Renata Bossi é certificada pela Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE, na sigla em inglês); e o médico Marcelo Lopes Cançado, além de integrar a Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, é mestre em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da UFMG.

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