Foto: Red Bull Content Pool
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Entrevista com a skatista brasileira Letícia Bufoni

Letícia Bufoni fala sobre Tóquio, legado e a vida depois do skate

Letícia Bufoni pode ter apenas 27 anos, mas é uma pioneira mundial no skate feminino há mais de uma década. E com as olimpíadas de Tóquio se aproximando, a brasileira tem dado duro treinando em seu quintal, em sua casa em Los Angeles. 

Bufoni tem várias medalhas de ouro nos X Games e um título mundial em seu nome. A paulistana fez sua primeira aparição nos X Games com apenas 14 anos. Ela impressionou tanto a consciência esportiva mundial que a Forbes a nomeou como uma das mulheres mais poderosas do esporte internacional em 2018.

Para praticar suas habilidades e preparo físico rumo aos Jogos Olímpicos de Verão, onde o skate está fazendo sua estreia, Bufoni criou um parque de skate incrível no quintal de sua casa em Los Angeles.

Ela revelou: “Renovei a minha pista de skate há cerca de um ano e adicionei algumas coisas que não estavam aqui porque quero uma pista de skate que possa treinar para uma competição. Este Handrail é perfeito para aprender truques. Esta escada é super pequena e divertida. O Hubba também. É parecido com o que eles têm em competição, mas um pouco menor. Eu desenhei a coisa toda. O A-Frame, é o meu preferido, é muito divertido”.

Confira o que Bufoni tem a dizer sobre a ascensão do skate feminino e seu legado:

O que você acha que é necessário para que o skate feminino ganhe ainda mais força?

O skate feminino cresceu e mudou muito nos últimos anos. É bizarro o quanto cresceu. No ranking mundial [de rua], três das quatro primeiras são brasileiras. O skate feminino brasileiro é muito forte no desempenho, mas precisamos de um pouco mais de apoio. Não posso reclamar, tenho excelentes parceiros e patrocinadores que me ajudam, então sou uma das sortudas. Falando mais pelas outras, vejo muitas meninas que são muito boas no skate e não têm apoio. O que falta é visibilidade, porque as meninas são muito boas, qualidade não falta.

O que você acha que ajudou no desenvolvimento deles?

Hoje você tem YouTube, Instagram, Twitter … você vê todos os vídeos e manobras em tempo real, a qualquer hora. Quando comecei, as coisas não eram assim. Meses depois de começar a andar de skate, ganhei um DVD com garotas andando de skate. Então, seis meses antes de começar a praticar, não sabia que as meninas sabiam andar de skate. Foi muito mais difícil. Hoje em dia, com todo o acesso que temos nas redes sociais, as meninas estão evoluindo muito rápido e é muito bonito ver o cenário do skate brasileiro.

Que tipo de legado você quer deixar?

Não fui a primeira mulher do skate brasileiro, vieram várias antes de mim, mas até eu me aposentar, quero que as meninas olhem para mim e vejam que é possível seguir seus sonhos e realizar cada um deles. Isso é o que sempre quis deixar como meu legado.

Parar de andar de skate pode ser uma opção para você?

O skate já faz parte da minha vida há muitos anos e é difícil descrever o que ele representa. É uma paixão que não posso imaginar que jamais pare. Mesmo quando for muito velha, quero pelo menos andar de longboard na praia. Eu até penso: quando se trata de ter um filho, como vou parar com o skate por um ano? Vai ser muito difícil. A ideia é competir por muitos anos, até não poder mais. Mas o skate é para toda a vida!

Quais são suas expectativas para 2021?

Espero que tudo volte ao normal, que tudo isso acabe. Quero muito que as competições e os treinos voltem para podermos ir para Tóquio. Chegar lá e representar o Brasil será a realização de um grande sonho. Quero trazer a medalha para cá, mas meu foco é chegar primeiro.

Via: Red Bull Content Pool

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