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Vida e Saúde

 A família

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O primeiro vínculo, as marcas e o que fazemos com elas

A maioria das feridas emocionais começa dentro de casa.

Vocês se lembram da comédia A Grande Família, onde tudo se misturava e cada personagem tinha sua própria história? As brigas, os exageros, os sentimentos… e, no final, tudo se ajustava.

A gente ria. Mas o quanto daquilo era real?

A família pode ser o maior apoio de uma pessoa ou, muitas vezes, o maior desafio.

É dentro dela que conhecemos o amor, o limite, o cuidado e, em alguns casos, a falta deles. Aquilo que ouvimos quando somos crianças não desaparece com o tempo. Fica. E muitas vezes segue guiando a forma como nos vemos.

Conheci uma mulher que se achava feia. Mas não era. Pelo contrário, era bonita e tinha presença.

Quando criança, ouviu a mãe comentar, sem intenção, que ela era a filha “mais feinha”. Uma frase solta, em um momento qualquer, que virou verdade dentro dela por anos.

Quantas frases como essa você já ouviu e ainda carrega?

Nem sempre é o que fizeram com você. Muitas vezes é o que você continua repetindo.

O amor da família é o primeiro que experimentamos. Por isso, ele molda tanto.

A família é o primeiro vínculo, o primeiro espelho e também o primeiro sistema ao qual pertencemos. Na constelação familiar, entendemos que não carregamos apenas a nossa história, mas também dinâmicas que vêm de antes de nós e que, muitas vezes, seguem atuando de forma silenciosa.

Mas não se trata de culpar os pais. Isso não transforma. Eles também fizeram o melhor que podiam dentro da própria história.

O movimento real começa quando assumimos responsabilidade pelo que fazemos com o que recebemos.

Hoje, vemos relações familiares mudando. Cada um busca seu caminho, suas necessidades, sua individualidade. E, muitas vezes, o vínculo fica em segundo plano.

Ainda assim, a família continua presente.

Mesmo morando longe, mesmo vivendo outra realidade, carregamos dentro de nós a nossa origem, nossas memórias e também nossas feridas.

A constelação familiar traz justamente esse olhar: entender o que ficou, dar lugar ao que aconteceu e permitir que a energia volte a fluir de forma mais leve.

Quando aquela mulher entendeu a origem da sua crença, algo mudou. Ela deixou de repetir a frase que ouviu e começou a construir uma nova forma de se enxergar.

E isso transforma.

Se você não teve o que precisava na infância, existe um caminho possível na vida adulta.

Não para apagar o passado.
Mas para ressignificar.

Você não escolheu a família em que nasceu.
Mas escolhe todos os dias o que faz com isso.


Sobre a autora:
Zaquie C. Meredith é socióloga, terapeuta e escritora, com atuação nas áreas de desenvolvimento pessoal e constelação familiar. Realiza atendimentos individuais e em grupo.

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