Nilson Lattari

Crônica da semana: “Temos o direito de ser felizes”

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Por Nilson Lattari

Quem faz essa pergunta é feliz?

Afinal, de onde saiu que ser feliz é algo estabelecido por alguma lei, para que solicitemos algum direito a ela? Ninguém tem o direito de ser feliz, porque ninguém tem o poder de fazer a felicidade de ninguém, a partir de leis ou decretos.

Não é doando algum bem, fazendo algum ato que tornamos alguém feliz. Muitas vezes, a caridade proporciona mais benefícios a quem faz do que alento para quem recebe. A caridade é algo efêmero, descontinuado, sem compromisso. Algo momentâneo, dado por um impulso, por um gesto, é claro, que nobre, mas se existe, se alguém necessita, nos diz mais da infelicidade do mundo do que a felicidade que podemos proporcionar.

Nós todos queremos ser felizes e, portanto, nossa querência não pode proporcionar a felicidade a alguém, logo ser feliz não é um direito, não é uma ordem, não é uma determinação de alguém. Ser feliz é algo que sai de dentro de nós, não tem explicação, não está em nenhum livro, e muito menos estabelecido por alguma lei.

Logo, ser feliz não é um direito, não pode ser reclamado nos tribunais, e nenhum juiz pode fazer um despacho, e ninguém pode fazer uma petição. Como pedir algo que não se sabe onde está, quem produz ou quem delega?

Desejar uma felicidade é vontade. Portanto, temos vontade de ser felizes?

Sim, claro, a vontade nasce dentro de nós, uma procura por uma paixão ou por qualquer coisa, uma dedicação a alguma causa, que traga uma satisfação interior do dever cumprido. De ter realizado algo que fez diferença para nós mesmos, nos transformou, nos deixou um sorriso no rosto, um brilho nos olhos, uma alegria que não pode ser descrita.

E são momentos raros, como se pudéssemos fazer uma caridade com a gente mesmo. Nos dando pequenos prazeres, fazendo pequenas travessuras, rindo às escondidas. Felicidade, ser feliz, vem das esmolas que a vida nos dá, são brindes que escolhemos no dia a dia, pequenos desejos satisfeitos, olhares curiosos sobre as coisas, leituras novas, paisagens idem.

Temos o direito de procurar ser felizes, quando não aceitamos o olhar dos invejosos, quando não nos conformamos com as palavras desencorajadoras, e quando não consideramos as batalhas perdidas.

Ninguém tem o direito de derrubar nossa autoestima, a base de sustentação da nossa felicidade.

Foto de Catalin Pop na Unsplash

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