Diversos marcos e homenagens são vistos pelo caminho como esta em Ponte de Lima Foto: Miguel DaSanta-Amatar
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Acontece Portugal – O Caminho de Santiago por Portugal

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Para quem gosta de aventuras e tem espírito esportivo, em Portugal também existem diversos maneiras para fazer o famoso Caminho de Santiago. São cinco trajetos no total, sempre do sul para o norte, já que Santiago de Compostela se localiza na Galiza, a 120km da fronteira de Valença, ao extremo norte português.

Alguns destes caminhos são mais longos e menos demarcados, outros já possuem uma estrutura mais elaborada e por isso se tornaram mais conhecidos e preferidos pelos peregrinos. Um exemplo é o trajeto com saída da cidade do Porto, com um total de 240km de distância e direito a apreciar muita beleza e história durante a caminhada.

Uma das características deste trajeto é a sinalização que demarca a direção a ser percorrida, com setas amarelas pintadas em ruas, esquinas e diversos pontos de encontro. Outro grande diferencial é a infraestrutura oferecida: este caminho português está dotado de excelentes pontos de apoio ao peregrino, com albergues (municipais e privados) no final de todas as etapas, cafés e restaurantes. Há ainda uma enorme oferta de supermercados e mercearias onde o peregrino pode se abastecer de todo o tipo de mantimentos para os seus dias de caminhada.

Este caminho português normalmente é feito em 11 etapas, uma por dia. A primeira etapa fica entre as cidades do Porto e Vilarinho. São 27km de distância e uma das dicas é começar por um ponto do Porto onde o peregrino já consiga solicitar sua credencial – é muito importante tê-la quando se faz o trajeto – e receber o carimbo de início. A Catedral da Sé é um dos locais onde pode-se fazer isso e, de quebra, já conhecer um dos belos pontos turísticos da cidade.

Da segunda à quinta etapa (pouco mais de 95km), o caminho é feito ainda em terras lusitanas, onde destaca-se vários momentos especiais e cenários inesquecíveis. Em Barcelos, por exemplo, no segundo dia, o peregrino troca o asfalto e o cenário urbano por estradas de terra batida e bucólicas paisagens rurais e construções medievais. No dia seguinte, é a vez de passar por áreas florestais e terrenos vinícolas e atravessar uma secular ponte romana sobre o rio Lima é um dos momentos marcantes deste caminho português. É também nestes primeiros dias que o caminhante vai passar pela Serra da Labruja, onde está a famosa Cruz dos Franceses e avistar o rio Minho, já chegando a Valença, na fronteira com a Espanha.

Ponte Romana sobre o Rio Lima em Ponte de Lima – Foto: Miguel DaSanta-Amatar

O sexto dia é marcado pela travessia da fronteira, pela Ponte Internacional sobre o Rio Minho. Daí em diante, o viajante vai passar por diversas vilas e pequenas cidades espanholas, como Porriño, Redondela, Pontevedra, Caldas dos Reis e Padrón, o último destino antes da chegada a Santiago de Compostela. O cenário se alterna entre bosques e serrados e vilarejos com arquitetura de beleza única. Em Pontevedra, cidade considerada por muitos como a capital do Caminho Português de Santiago por terras galegas, está mais uma etapa marcante, onde pode se avistar o Rio de Vigo.

Rio Neiva na cidade da Barcelos
Foto: Miguel DaSanta-Amatar

De Padrón a Compostela, no último dia de caminhada, são 25km finais. Contam que a chegada é um misto de emoções: de um lado, o cansaço pelo esforço físico e a ansiedade de se chegar à Praça do Obraidoro, onde está a Catedral de Santiago e é o marco da conquista do objetivo; e do outro o pesar por chegar ao fim de um caminho cansativo, mas recompensador. Quem vai, relata mais que uma simples sensação de “dever cumprido”. É uma experiência transformadora, pois o peregrino “sai do caminho, mas o caminho permanece em cada um que o percorreu”.

Um pouco da história

Desde a descoberta de um suposto sepulcro do discípulo de Jesus na Galícia, no ano 829, o caminho passou a ser feito por diversos peregrinos e religiosos. Cada viajante fazia o seu próprio trajeto, da porta de sua casa até Compostela. Algumas rotas e vias foram se tornando mais populares e transitadas por diversos motivos (segurança, facilidade de abastecimento), mas nunca foram intituladas ou consideradas como principais.

Devido à sua importância cultural, histórica e religiosa, em 1987, o Conselho da Europa declarou as estradas que conduzem a Santiago o “Primeiro Itinerário Cultural Europeu” – declaração esta que gerou recursos financeiros para reformas do caminho e construções de pontos de apoio e abrigos aos peregrinos. Em 1993, a Unesco incluiu o Caminho de Santiago na lista de patrimônios mundiais.

O itinerário do Caminho de Santiago Português, seja ele por qualquer um dos trajetos, ganhou relevância sobretudo a partir do século XII, após a independência de Portugal. Sua importância está diretamente ligada a estradas e caminhos antigos, construídos pelos romanos no século I d.C, trajetos estes que foram essenciais para a estrutura da Galícia.

A Catedral da Sé no Porto é uma opção de ponto de partida – Crédito: AT Porto e Norte

As setas amarelas que unificam os Caminhos de Santiago, e que se transformaram em seu ícone mais universal, começaram a ser pintadas na década de 80, por dois grandes promotores e entusiastas da tradição (um padre galego e um presidente de uma associação da região), quando o Caminho de Santiago era um grande desconhecido e quase não havia estudos sobre o trajeto. Desde então, diversas entidades melhoraram e mantiveram a sinalização em suas respectivas zonas de influência.

Setas amarelas pelas ruas do Porto indicam o Caminho de Santiago – Foto: Leone Niel-Amatar

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