Moraes Moreira
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Morre o cantor Moraes Moreira

Morreu, na manhã desta segunda-feira (13), aos 72 anos, o cantor e compositor Moraes Moreira. O artista estaria em sua casa, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Ainda não há detalhes sobre as causas da morte.

“Foi encontrado em casa morto, no Rio de Janeiro. A gente não sabe direito o que ocorreu. Nem eu, nem as irmãs sabemos. Foi na madrugada. A emprega foi limpar o apartamento e encontrou ele morto. Ele morava só ultimamente. Só sei disso por enquanto”, disse Eduardo Moraes, irmão do cantor, ao portal G1.

O cantor e compositor Gilberto Gil lamentou a morte de Moraes Moreira. Em publicação nas redes sociais.
“Ouviu encantado a música do mundo e fez dela seu universo expressivo. Deixa saudade e uma grande obra”, lamentou.

“É muito triste receber a notícia do falecimento de Moraes Moreira, baiano de Ituaçu, território era habitado por índios Maracás e Tapajós, nas margens do Rio das Contas. Cantor, compositor e músico, ex-integrante do grupo Novos Baianos, lançou mais de 25 discos, sendo Acabou Chorare um dos 100 melhores discos brasileiros de todos os tempos. Mais uma perda inestimável para música brasileira. Participou da abertura do Carnaval do Pelourinho, na sexta. Carnaval que homenageamos os 70 Anos do Trio Elétrico, sendo ele o primeiro cantor de trio. Ironicamente esse foi o seu último Carnaval conosco. Vai agora cantar e tocar junto às estrelas”, comentou Arany Santana, secretario de Cultura da Bahia.

Vejam o último post de Moraes Moreira em seu Instagram :
“Oi pessoal estou aqui na Gávea entre minha casa e escritório que ficam próximos, cumprindo minha quarentena, tocando e escrevendo sem parar. Este Cordel nasceu na madrugada do dia 17, envio para apreciação de vocês. Boa sorte

Quarentena (Moraes Moreira)

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo….
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem.idade”

Post publicado em 18 de março de 2020

Sobre:
Moraes Moreira começou tocando sanfona de doze baixos em festas de São João e outros eventos de Ituaçu, o “Portal da Chapada Diamantina”. Na adolescência aprendeu a tocar violão, enquanto fazia curso de ciências em Caculé, Bahia. Mudou-se para Salvador e lá conheceu Tom Zé, e também entrou em contato com o rock n’ roll. Mais tarde, ao conhecer Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, formou o conjunto Novos Baianos, onde ficou de 1969 até 1975. Juntamente com Luiz Galvão, foi compositor de quase todas as canções do Grupo.[1] O álbum Acabou Chorare, lançado pela banda em 1972, foi considerado pela revista Roling Stone Brasil[2] um dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira. Moraes Moreira possui 40 discos gravados, entre Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar e ainda dois discos em parceria com o guitarrista Pepeu Gomes. Moraes se enquadra entre um dos mais versáteis compositores do Brasil, misturando ritmos como frevo, baião, rock, samba, choro e até mesmo música erudita.

Saiu em carreira solo no ano de 1975, e desde então já lançou mais de 20 discos. Na sua carreira solo, destacou-se como o primeiro cantor de trio elétrico, cantando no Trio de Dodô e Osmar, e lançou diversos sucessos de músicas de carnaval, no que se convencionou chamar de “frevo trieletrizado”. Alguns dos sucessos dessa fase são “Pombo Correio”, “Vassourinha Elétrica” e “Bloco do Prazer”, dentre outras.

Foto: Reprodução Instagram

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