Caetano e os filhos em uma apresentação de Ofertório
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Família Veloso traz “Ofertório” para Miami

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O cantor e compositor Caetano Veloso volta a Miami para mais um show, só que desta vez em família. Essa é a proposta da turnê “Ofertório”, que une no palco o pai e os três filhos Zeca, Tom e Moreno. O quarteto Veloso se diverte e se emociona com um repertório cheio de grandes sucessos de várias fases da carreira do artista baiano, como “Alegria, Alegria”, “Leãozinho”, entre outros, mas também de canções compostas pelos filhos. Caetano conversou com a Acontece sobre a emoção de cantar com Zeca, Tom e Moreno e a expectativa do show em Miami, que acontece no dia 20 de abril, no Arsht Center for the Performing Arts.

Como nasceu a ideia de sair em turnê com os seus três filhos? Estar mais perto deles por meio da música é um sonho realizado?
Eu tive a ideia e vivi pensando nisso até todos poderem e quererem fazer. Começou quando Moreno e eu fizemos um show juntos para um evento especial em São Paulo. Depois que vi que Zeca e Tom também estavam trabalhando com música, sonhei fazer uma turnê com todos. Estar perto deles é a coisa que me dá mais alegria nessa vida.

Qual a sua expectativa para essa turnê nos EUA? Vocês já se apresentaram em Miami juntos antes?
Já me apresentei muitas vezes em Miami e em outras cidades americanas, mas nunca junto a meus filhos. Moreno já se apresentou nos Estados Unidos com a banda +2 e com a Orquestra Imperial. Zeca e Tom só conhecem Nova York – e nunca tocaram lá. Tom faz parte de uma banda chamada Dônica, basicamente de Rock Progressivo mas muito ligada à música de Milton Nascimento, Lô Borges e Toninho Horta dos anos 1970. Mas Zeca, na verdade, nunca tinha tocado num palco antes deste show, nem mesmo no Brasil.

Como é o pai Caetano na vida real, no palco e nas viagens em turnê?
Sou louco pelos meus filhos. Eu cresci certo de que nunca teria filhos. Me casei com Dedé Gadelha, que também estava segura de não querer ter filhos. Depois de dois meses de prisão, quatro de confinamento e dois anos e meio de exílio, comecei, perto dos 30 anos, a desejar ter um. Eu me surpreendia, era uma coisa biológica, eu parecia uma mulher quando precisa conceber. Precisei convencer Dedé. Quando voltamos ao Brasil – à Bahia – de volta do meu exílio em Londres, Dedé decidiu topar e, logo depois de eu completar 30 anos, Moreno nasceu. Mudou tudo na minha vida. Conheço, desde então, um amor total, incondicional. Tive vontade de ter uns dez. Quando Moreno já tinha 20 anos, me juntei com Paula Lavigne e daí nasceu Zeca. Cinco anos depois, Tom. Moreno me deu um casal de netos. Mas me sinto agarrado aos meus filhos. Tenho um grande prazer reprodutivo. Sou um pai apaixonado. Nunca quero me afastar deles, mas, claro, eles precisam se afastar de mim. São adultos, têm sua vidas, seus amores. A música é bom pretexto para estar perto. Há muita beleza na música de todos, mas acho que o laço biológico e familiar é que dá liga ao show.

No repertório, há canções que remetem muito à família, como “Boas-Vindas” e “Ofertório”, que dá título à turnê. Como foi o processo de seleção diante de tantos clássicos?
“Ofertório”, que terminou dando nome ao show, foi escrita para a missa de 90 anos de minha mãe. “Boas-Vindas”, para Zeca, quando ele nasceu. Mas há também “Jenipapo absoluto” e “Reconvexo”, que falam de meu pai, meus outros irmãos e da região da Bahia de onde viemos. Além de composições em parceria com Moreno e Zeca. É muito importante que a escolha das músicas tenha vindo de todos os quatro. “O seu amor”, por exemplo, música de Gil que é o primeiro número em que abrimos vozes, foi exigência de Tom.

Como foram os ensaios e as produções para o CD/DVD? Com uma banda em família, fica mais fácil esse processo?
A gente ensaiou em minha casa, depois num estúdio que Paulinha vinha construindo. É fácil a convivência, mas o relaxamento deixa a gente sem noção do nível a que chega o resultado final. Estreamos sem saber se ia ser um mico. Sabemos que não é um show virtuosístico. Nem de longe é uma exibição de musicalidade. Mas nosso timbre particular e nossas sensibilidades tão várias, mas tão íntimas, conquistaram o público brasileiro. Gravamos o CD/DVD na segunda semana, com o show ainda verde. Hoje pode soar mais profissional, dependendo do dia e do lugar. Mas a força também vem da celebração reprodutiva e do afeto peculiar do nosso grupo.

Como você avalia a performance de cada um dos seus filhos no palco? Principalmente do Zeca, que vem sendo muito elogiado na mídia?
Moreno me impressionou desde cedo: aos 9 anos escreveu a letra de “Um canto afoxé para o bloco do Ilê”. Depois que cresceu, formou uma banda com Kassin e Domênico Lancelloti, a +2, e fez logo um disco ultrarrefinado. Zeca, que na adolescência gostava de música eletrônica e dizia querer ser DJ, aos 19, 20 anos começou a fazer umas canções pungentes, que ele canta em falsete. Tom compõe com Cezar Mendes, um conterrâneo meu que o ensinou a tocar violão, canções muito bem escritas e, com seus colegas da Dônica, peças complicadas e brilhantes. Mas é muito despretensioso e desencanado. Gosto de tudo o que cada um deles faz, no nosso show ou em projetos separados.

O que está sendo mais importante nessa experiência musical com seus filhos? Ou seja, se apresentarem juntos?
Pra mim o mais importante é poder estar perto deles, viajar com eles e ver nosso clima familiar fluir sobre o palco.

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