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Consumo de cigarro cresce e ascende alerta para câncer de pulmão

Ao menos 34% dos tabagistas indicam que passaram a fumar mais; Além de fator de risco para sintomas graves de Covid-19, hábito é o principal responsável pelo surgimento de tumores pulmonares

O tumor de pulmão ocupa o terceiro lugar como o tipo de câncer mais comum entre os homens e o quarto entre as mulheres. A incidência global pode chegar a 1.8 milhão de novos casos por ano, com 1.6 milhão de mortes, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Essa realidade poderia ser amplamente modificada com mudanças simples de hábitos de vida, já que cerca de 85% desses casos estão ligados a um fator amplamente evitável: o tabagismo.

A preocupação acerca dos índices de câncer de pulmão ganhou contornos ainda mais dramáticos diante da pandemia do novo coronavírus. Segundo aponta uma pesquisa realizada entre várias universidades brasileiras, 34,3% dos entrevistados que se declaram fumantes passaram a consumir mais cigarros por dia com o período de isolamento social. Foram ouvidos 44.062 brasileiros, de ambos os sexos, de todos os níveis de escolaridade e de todas das faixas etárias a partir de 18 anos.

O aumento do tabagismo está relacionado à ansiedade gerada pelo momento inédito na história recente da saúde. “O consumo de cigarros é um problema de saúde pública que não pode ser ignorado. A luta contra o tabagismo não pode ser abandonada, sob o risco de termos não apenas uma onda de aumento na incidência de tumores malignos, entre eles o câncer de pulmão, mas também de outras doenças respiratórias”, explica Jacques Tabacof, oncologista clínico.

Outro fator que não pode ser desconsiderado é a vigilância contínua de possíveis sintomas, que podem ser facilmente confundidos com os do novo coronavírus, principalmente entre fumantes. “Os sinais iniciais do câncer de pulmão se assemelham muitas vezes aos de outras condições comuns associadas ao trato respiratório, por isso dificilmente é diagnosticado no estágio inicial. Tosse e falta de ar, sintomas amplamente relacionados ao Covid-19, também são o alerta principal para o câncer de pulmão”, destaca o Dr. Jacques.

Neste sentido, vale atentar para algumas diferenças importantes: a tosse seca no Coronavírus vem associada a outros sintomas como a febre, por exemplo, e, além disso, perdura por mais ou menos 15 dias. Já no câncer de pulmão, esse sintoma, quando surge, tende a ser persistente e não apresentar melhoras após este período.

“Os sintomas do câncer de pulmão geralmente são mais frequentes no estágio avançado da doença, o que dificulta o diagnóstico precoce, essencial quando pensamos em chances de cura. Além da tosse e da falta de ar, dor torácica contínua, perda de peso sem motivo, rouquidão que não melhora após mais de sete dias e pneumonias recorrentes figuram entre os pontos de alerta para este tipo de tumor”, comenta o oncologista.

E apesar de muitas pesquisas apontarem para os malefícios causados pelos cigarros tradicionais, as alternativas como os cigarros light, eletrônicos ou narguilés também podem ser prejudiciais à saúde. Neste sentido, o especialista destaca outro grande alerta que precisa ser feito é em relação ao chamado vape , que cresce em consumo principalmente entre os jovens.

“Houve um grande retrocesso. Depois de anos diminuindo o número de fumantes, principalmente entre jovens, que é super importante, já que a maioria dos que continuam fumando começaram nessa época da vida, vemos também um aumento grande de pessoas usando o cigarro eletrônico. O apelo tecnológico é uma das coisas que atraem os mais novos e é preciso conscientizar a população que, mesmo eles, são potencialmente tóxicos e levam à dependência”, frisa o médico.

Fumantes com câncer de pulmão têm pior prognóstico quando infectados pela Covid-19

“Além de ser fator de risco para o câncer e várias outras doenças, o tabagismo é certamente um dos hábitos que contribui para formas mais graves de infecção por coronavírus. Ainda é cedo para afirmarmos categoricamente os impactos da COVID-19 entre pessoas com câncer de pulmão em comparação ao restante da população, mas de fato a análise resultante da união de centros médicos e de pesquisa nos traz uma visão preocupante em relação à infecção por coronavírus e seus desfechos em pacientes oncológicos com tumores de pulmão”, finaliza o Dr. Jacques Tabacof.