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Como se inserir na cultura americana

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Convidados discutem como os brasileiros se veem nos EUA e como os americanos nos veem

Fernando Hessel, jornalista e comunicador paulista que trabalhou durante 24 anos no Grupo Bandeirantes de Comunicação, foi o mediador do painel que abordou a comunicação e a cultura dos brasileiros dentro dos Estados Unidos.

Além dele, sentaram-se à mesa Nick Santos, gerente de Conteúdo Internacional da Sling; Tania Khalil, atriz, bailarina e psicóloga; Rodrigo Prates, cantor e compositor, e Eloisa Lopez-Gomez, da UVO TV, que substituiu Viviane Spinelli, da Inffinito Foundation, que não pôde comparecer por ser vítima da covid-19.

Hessel perguntou aos componentes da mesa como as novas plataformas de comunicação estão interferindo na velha mídia – TV, rádio, cinema -, todos foram unânimes em afirmar que todas devem continuar. Não serão extintas, mas estão precisando se adaptar. O próprio mediador citou o rádio como um tipo de WebTV atualmente, onde apenas a palavra não é suficiente. As novas gerações querem ver e sobretudo interagir com os interlocutores.

Todavia, ele identificou o declínio do mercado de influencers. No início, isto se tornou uma febre e muitos anônimos se tornaram celebridades com vídeos caseiros que viralizaram nas plataformas sociais, sobretudo no YouTube. Hoje, esta tendência vem dando sinais inequívocos de saturação.

Alguns, porém, conseguiram se firmar neste faroeste internético. Nick Santos citou a Cazé TV como um bom exemplo. O influenciador esportivo Casemiro encontrou um nicho próprio e seu podcast adaptou-se aos novos tempos. Para se ter uma ideia, sua Web TV foi escolhida pela CBF para transmitir jogos da Copa do Mundo, e os jogos do Vasco e Botafogo no Campeonato Carioca eram somente transmitidos por sua plataforma.

Como compositor, o gaúcho Rodrigo Prates ainda acredita na força da palavra. Ele tem como referência sua comunicação com as crianças, uma vez que ele e a esposa criaram um programa de alfabetização infantil através da música.

No cinema, o Brasil ainda enfrenta restrição no mercado cinematográfico mundial, conforme explicou Eloisa, uma cubano-brasileira que atua há muitos anos no mercado. “Acho que o grande problema identificado no cinema brasileiro é a falta de bons roteiristas. Comédias e filmes infantis fazem sucesso no Brasil, mas as piadas, quando traduzidas, não causam o mesmo efeito em outras plateias”, revelou a produtora de cinema.

Ainda no segmento de artes cênicas, a atriz Tania Khalil vem sentindo na pele a dificuldade de atuar em um mercado altamente competitivo, sobretudo ao falar inglês com sotaque. Depois de ter vivido três anos em New York, ela sente-se mais ambientada na Flórida, onde vive atualmente: “Aqui, há muito mais receptividade, porque temos esta identidade latina. Entretanto, as pessoas comentam que o meu sotaque em inglês remete mais ao italiano do que ao espanhol”. Ela comentou, ainda, ter sido selecionada para participar de uma produção que deverá começar em breve.

Tania já participou de novelas no Brasil – que aqui nos EUA são qualificadas como séries, até porque as novelas americanas são sinônimos de teatro de qualidade duvidosa.

Quando questionada sobre a qualidade das novelas brasileiras, Eloisa destacou que os roteiristas de novelas se saem bem porque a produção tem centenas de capítulos. “Nas novelas, o roteirista pode errar, mas em um filme isto é proibido porque você tem apenas 90 minutos para contar uma história”, resumiu.

Nick Santos, que coordena conteúdos de vários países, confirmou que as novelas são mesmo um sucesso de público. “Para se ter uma ideia, o índice usado pela Sling mostra que os brasileiros dão mais minutagem do que, por exemplo, os indianos, que possuem mais canais de TV transmitidos por nós”, revelou o executivo.

Ele ainda notou que hoje quem dita a preferência são os próprios consumidores. “Antes os produtores musicais identificavam quais canções deveriam ser as preferidas do público, hoje são feitos vídeos amadores no Tik Tok e aquelas que tiverem mais views são as escolhidas para serem ‘trabalhadas'”, afirmou.

Como se vê, a tecnologia vem interferindo significativamente no campo da cultura – como, aliás, em todos os segmentos. Por isto, adaptar-se é fundamental!

Legenda: Especialistas analisam as transformações no setor de Cultura e Comunicação com o advento das novas tecnologias

Crédito: Todd Holland/Divulgação

Antonio Tozzi – BAST PR Agency

Nick Santos,  Fernando Hessel, Eloisa Lopez-Gomez, Tania Khalil e Rodrigo Prates.

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