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Violinista brasileira tem visto de artista negado

Anna Murakawa já tocou para o Papa Bento XVI, mas tem visto negado na Austrália por não ter seguidores suficientes nas redes sociais

A história da paulista Anna Murakawa é feita de sonhos, estudo e muito trabalho. Embora seja PhD em Violino pela Universidade de Sidney, na Austrália e já tenha tocado com personalidades renomadas da música como Michael Buble, Eminem, Hanson, OneRepublic, Família Lima, dentre muitos outros, ao solicitar o visto de artista para residente australiana, ela teve a permissão negada. A justificativa é de que “sua carreira é impressionante, mas não é mensurável com o esperado de um artista internacional,” pois Anna não apresentava seguidores suficientes em suas redes sociais, requisitos para as autoridades australianas a considerarem uma artista de relevância.

No dia 8 de julho desde ano, Anna recebeu um ultimato, teria 21 dias para apelar, ou 28 dias para sair do país. Ela então resolveu lutar. Ter dedicado a sua vida inteira aos estudos do violino não foi o suficiente. Sua apelação foi aceita e o caso agora vai para corte, onde Anna precisa apresentar provas e se defender no tribunal. A audiência foi agendada para o dia 19 de Novembro de 2020, as 2pm, horário de Sydney. Segundo a advogada de Anna “o crescimento de seguidores nas suas redes sociais é, sem duvida, evidência forte de que você é uma artista acima do comum, requisito esse determinado em decisão da Suprema Corte Federal da Austrália (FCA) para esse visto.”

Nascida em Osasco, Anna é violinista e mora há quatro anos em Sidney, onde concluiu recentemente seu doutorado em violino. Além disso, é ex-aluna do Projeto Guri, um dos maiores programas sociais de incentivo ao estudo da música nas periferias.

Sua carreira começa aos 13 anos no Guri, por incentivo de seu tio e, desde então, tem construído uma trajetória sólida representando a música e arte como brasileira ao redor do mundo. “Meu objetivo é quebrar barreiras e desmistificar a ideia de que violino e arte não é para brasileiros. Eu já ouvi muitos nãos, mas eu creio que quanto mais longe eu chegar mais eu vou poder ajudar e inspirar as pessoas. Eu acredito fortemente de que vale a pena a gente lutar pelos nossos sonhos, que pessoas ordinárias podem sim se tornar extraordinárias, que não importa de onde você veio, mas onde você quer chegar, que nós mulheres podemos ser reconhecidas pelo nosso trabalho, e que nós brasileiros podemos sim ser reconhecidos como o povo talentoso que somos, mundialmente.”

A carreira internacional de Anna iniciou quando ela tinha 17 anos e ganhou – por conta da sua notável habilidade em tocar violino – uma bolsa de estudos na Bulgária, onde se formou e deu continuidade à graduação e mestrado nos Estados Unidos, recentemente se tornando PhD em Violino, na Austrália.

Contudo, para a violinista brasileira manter sua permanência na Austrália através do visto, o número de seguidores ainda é um empecilho. “Esse visto é uma autorização para conseguir continuar morando aqui no país e dar andamento na minha carreira, conquistada com muito estudo e trabalho. Infelizmente, o visto foi negado porque eles afirmam que os meus números, nas minhas mídias sociais, não tem muita relevância como uma artista internacional”, conta Anna.