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Sobrepeso dos mais jovens na pandemia

Hábitos alimentares saudáveis devem começar na infância

Pesquisas apontam que uma em cada três crianças, entre cinco e nove anos, está acima do peso. A pandemia do novo coronavírus pode ter aumentado ainda mais esse quadro, já que as crianças e adolescentes tiveram a rotina totalmente modificada e ficaram mais sedentárias. Os pequenos são estimulados constantemente com publicidade, vídeos e a própria TV sobre alimentos calóricos e poucos nutritivos. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) concluiu que os índices da obesidade infantil aumentaram durante o período de quarentena. Dados científicos também comprovam que a obesidade é um dos fatores que agravam a Covid-19.

A nutricionista Ana Carolina Netto comenta sobre o impacto que confinamento causou na rotina alimentar: “A pandemia trouxe uma onda de ansiedade e ócio para nossas crianças, que passaram a ter mais alimentos disponíveis dentro de casa. Além disso, passaram a ficar mais tempos sentados, sem atividades, o que realmente vem tendo um impacto no peso”. A profissional relata que seu consultório aumentou o número de crianças e adolescentes com sobrepeso devido à crise sanitária.

A recomendação geral de médicos é que as crianças fiquem, no máximo, duas horas por dia diante de telas, o que implica que elas tenham o que fazer no restante do tempo. Portanto, em tempos de isolamento social, com escolas fechadas e restrições de lazer, essas medidas não se encaixam, e a opção é ficar na frente das telas. Até mesmo para assistir às aulas, o tempo de duas horas em frente às telas é ultrapassado, contribuindo com uma rotina de sedentarismo.

O sobrepeso deve ser tratado ainda na infância, e não prorrogado para mais tarde, afinal, saúde é uma prioridade de agora. É preciso ensinar para as crianças que a reeducação alimentar  não significa dieta restritiva. “Não fazer desse processo um castigo é fundamental para fazer dar certo”, comenta Vanessa Almeida, nutricionista da Acolher Nutrição,.

A profissional também enfatiza que a mudança deve vir em âmbito familiar,  onde não é só a criança que precisa mudar e sim todos da sua convivência. É preciso ensinar os benefícios da boa alimentação e apresentar os bons alimentos à toda família. Ao provar novos sabores, os pequenos vão ganhando confiança em provar um novo estilo de vida 

Muitas crianças e adolescentes podem precisar de acompanhamento psicológico, além do nutricional. Comportamentos disfuncionais em relação à alimentação e autoestima podem começar na infância. A orientação sobre a alimentação deve vir acompanhada do entendimento de comportamentos que possam ser o foco do problema.