Nilson Lattari

Crônica: Sorte

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Por Nilson Lattari

Houve alguma vez na sua vida uma experiência em que a sorte tenha acontecido? Aquele momento em que tudo deu certo, ou algo veio inesperadamente cair no seu colo, aquele projeto que encaixou certinho naquilo que foi previsto, alguma coisa relevante, vinda do nada? Pois bem, para esses movimentos podemos definir como de pura sorte, essa palavra e situação mágica que nos trazem um sorriso no rosto, e a impressão de que somos únicos no mundo.

Para alguns, sorte é acertar na loteria, ficar rico da noite para o dia e de repente enxergar o mundo com outras cores, vendo os mesmos lugares de uma outra forma; a sorte faz de nós pessoas diferentes das outras e de quem éramos alguns segundos antes. É como a sensação de tacar fogo em tudo e partir para uma nova vida, momentos que alguns não observam bem, e acabam queimando tudo sem pelo menos ter a certeza de que o algo de bom foi verdadeiro. Aí, bem, aí já é uma questão de burrice e nem de azar.

Para outros, no entanto, sorte é não ter novidades acontecendo porque a vida está indo tão bem que o bom passa a ser inimigo do ótimo, e é melhor que a sorte seja, simplesmente, que a vida continue assim bem tranquila. E para os mais avisados e experientes é melhor não procurar mexer muito senão a coisa desanda.

Existem os momentos em que dessa tranquilidade podemos inferir que sorte é não querer dar um salto maior do que a perna. Ser modesto no querer e no almejar. Projetar sonhos pequenos, ao alcance dos saberes e do dinheiro que se tem. Dar o salto sim, é claro que faz parte do ser humano querer mais; o problema é estabelecer um limite para esse querer. Como, por exemplo, querer o carro novo, mas que seja um novo dentro das possibilidades e, alcançando, acredite, não foi Deus que mandou. Ele só é responsável, se podemos dizer assim, que seu corpo lhe seja presenteado como disposto a conseguir, o resto cuide você e trabalhe para a sua sorte porque, até onde se entende, de carro Ele não manja nada!

Portanto, quais são os seus momentos de sorte?

Até porque sorte tem mais a ver com o acaso do que com mandingas, e também o azar, apesar de ninguém fazer mandingas contra si mesmo.

Li, certa vez, que ninguém consegue nada no mundo se não participar dele. É mais ou menos como você nunca vai aprender a dançar, simplesmente, se não participar de uma festa, onde poderá ser convidado(a) a dançar ou fazer o convite a alguém. Sorte, poderia dizer, é estar no mundo e participando do mundo, convivendo com as oportunidades que aparecem, porque ninguém ganha nada parado, e se a sorte é uma roleta que anda por aí à procura de alguém, é bom circular, porque a sua sorte, de repente, vai para alguém mais ativo que você.

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