Nilson Lattari

Crônica da semana: MESTRES DO COTIDIANO

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Por Nilson Lattari

Consta que uma turista, visitando uma feira de artesanato, ficou impressionada com a maestria de um artesão que conseguiu esculpir uma vaca utilizando um tronco de árvore. Isso a motivou a perguntar ao artista como ele conseguiu fazer isso. Ele respondeu, com simplicidade, que apenas “viu” a vaca e retirou o resto. Poderíamos concluir que existem coisas que não são explicáveis, são apenas frutos da arte humana.

Em nossa vida cotidiana, nos deparamos com muitos desafios a enfrentar, seja no campo profissional, no emocional ou no relacionamento com as pessoas. Alguns dão verdadeiros dribles para contornar situações e garantir o próprio sustento: a criatividade está no ar.

Assim como uma pessoa rica reclama da dificuldade de aplicar o seu dinheiro da maneira correta, outra consegue se equilibrar com o pouco que tem e sobreviver para enfrentar o mês seguinte. Aqueles que lidam com a própria dificuldade podemos considerá-los mestres do cotidiano. São personagens invisíveis que transitam próximos a nós e vivem dificuldades que alguns de nós apenas imaginam e outros nem imaginam que existam. O mundo é dividido entre esses seres que transitam pelas mesmas cidades, frequentam alguns lugares comuns e imaginam como seria o mundo dos outros, já que os seus têm as suas dificuldades.

Como o artesão que descreveu com simplicidade a sua arte, a sobrevivência de cada um depende da sua criatividade ao estabelecer prioridades, a partir da situação de cada um, onde os excessos são eliminados, as prioridades se estabelecem e a vida segue em frente.

A ferramenta de criação dos mestres do cotidiano é a intuição. Frequentemente, vemos na internet pessoas simples, ao redor do mundo, realizando trabalhos que fogem do lugar-comum. E as lições se espalham entre todos, com a possibilidade das criatividades serem replicadas. E toda essa capacidade de improvisar torna a vida mais fácil ou menos difícil para aqueles que possuem o talento, mas nunca tiveram a oportunidade de desenvolvê-lo. Os mestres do nosso cotidiano fazem parte daquele círculo de pessoas excepcionais que vivem no anonimato.

A maestria, porém, não provém somente da intuição, mas também da persistência e da perseguição dos objetivos. Traçar as linhas do futuro não é uma coisa fácil. Existe uma dose de sorte em tudo isso e também nas oportunidades que não se perderam.

Um profissional, na sua lida diária com o trabalho, encontra soluções que podem trazer um pouco mais de segurança ou de rapidez ao seu trabalho. As escolas ensinam as bases teóricas e as partes práticas, elaboradas por anos de experiência. Porém, nada impede que alguém subverta essa ordem e encontre uma solução mais prática e eficaz. Tudo isso é adquirido com anos de experiência e observação.

Esses anos de experiência proporcionam habilidades únicas e tornam pessoas simples, muitas vezes sem o saber acadêmico, mestres no saber da vida diária.

Somos de fato mestres de nós mesmos quando nos adaptamos e esperamos o melhor momento para o salto que vai mudar nossas vidas, tendo a visão clara do objetivo e retirando aquilo que não nos pertence ou deva ser desprezado.

Foto de Ryoji Iwata na Unsplash

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