Médicos Brasileiros Vida e Saúde

Como se prevenir contra cobranças médicas exorbitantes

Dicas do quefazer quando for ao hospital nos Estados Unidos, para nao pagar contas caras

Mesmo quem chegou há pouco tempo nos Estados Unidos, sabe que a saúde é um ponto de grande preocupação para todos, pois uma simples consulta pode resultar em cobranças que chocariam até aos que já são acostumados a pagar muito caro por tudo.  Recentemente, o youtuber brasileiro Felipe Neto, que tem mais de 40 milhões de seguidores e que reside aqui na América, decidiu usar o Twitter para protestar contra cobranças absurdas que vem recebendo após uma consulta que segundo ele durou cinco minutos e lhe foi receitado um anti-inflamatório. Felipe contou que primeiro lhe cobraram U$ 800, dois meses depois, mandaram uma nova cobrança de U$ 16, mais dois meses se passaram e outra cobrança chegou, desta vez de U$ 500 e pouco tempo depois, mais uma de U$ 2.200. O youtuber não é o primeiro e está longe de ser o último a ser surpreendido com esse tipo de prática, por isso, entrevistamos a advogada na área da saúde, Maria T. Santi, que possui vasta experiência em representar clientes em disputas envolvendo contas médicas, para que ela possa passar orientações sobre esse complexo tema.

A advogada representa pacientes e consumidores em toda a Flórida em disputas de contas médicas e negociações, recursos relacionados à cobertura médica negações em seguros de saúde públicos e privados, dentre outros casos na área. Ela concorda que o sistema de saúde americano é complicado e que há muitos interesses em jogo e explica o que deve ser feito por parte do paciente para evitar surpresas desagradáveis. “A primeira atitude, apesar de óbvia, é muito importante, trata-se da pessoa estar ciente dos direitos que são garantidos por lei. É preciso ler com atenção todos os formulários oferecidos em hospitais ou consultórios para só depois assinar. Caso não esteja escrito, deve ser incluído que a pessoa aceita pagar apenas taxas de seguro e taxas razoáveis e habituais”.

A doutora Maria também destaca outro ponto importante para que os usuários de saúde não sejam surpreendidos com cobranças exorbitantes “É preciso tomar cuidado com médicos e hospitais que querem cobrar antecipadamente a franquia. Essa não é uma prática adequada porque o provedor tem um contrato em que apenas uma taxa permitida deve ser paga. Depois que a reclamação é processada, esse é o único valor que o paciente teria que pagar para franquia e não o valor total”.

Ainda segundo a advogada, o paciente pode negociar o que for cobrado para um valor razoável, ou seja, não é preciso aceitar a conta sem questionar. “Assim que os pacientes recebem as informações solicitadas, eles podem avaliar adequadamente os custos dos serviços médicos cobrados. O primeiro passo é determinar a responsabilidade do paciente com base no contrato de seguro e avaliar os encargos caso não haja seguro. Feito isso, os pacientes devem avaliar as cobranças para determinar se são razoáveis. De acordo com a lei da Flórida, as contas médicas são consideradas ofertas, não obrigações de pagamento. Isso permite que os pacientes façam contraofertas ao receberem uma conta médica e iniciem negociações. Além disso, os pacientes são obrigados a pagar apenas o valor razoável dos serviços prestados por profissionais de saúde. O valor razoável é determinado pela comparação dos encargos com todos os encargos para o procedimento específico na área geográfica. A codificação médica e as auditorias podem ajudar os pacientes a determinar as taxas reais razoáveis ​​a serem pagas. O site healthcarebluebook.com é um ótimo recurso para determinar se os preços cobrados são adequados. Depois de examinar as cobranças, o paciente pode fazer uma oferta ao hospital ou ao médico para tentar resolver a conta. Eles geralmente aceitam acordos de pagamento. Alguns hospitais também oferecem programas de ajuda financeira. Esses programas cobrirão as contas com base na renda do paciente e meios para pagar”.

Cuidados para quem pretende fazer um plano de saúde

A advogada especializada em disputas envolvendo contas médicas também alerta sobre os planos de saúde. “É importante que pacientes e consumidores estejam atentos aos planos de saúde de curto prazo que são considerados de baixo custo, pois o que muitos não sabem é que esses planos podem negar o pagamento de indenizações por condições médicas preexistentes. Eles também oferecem cobertura muito limitada. Embora o plano de curto prazo possa cobrir serviços de emergência ou médicos, geralmente cobrirão apenas uma quantia muito limitada. Por exemplo, o plano de curto prazo pode dizer que cobre U$ 500 para uma visita ao pronto-socorro. Qualquer coisa faturada acima disso seria de responsabilidade do paciente. Assim, um paciente pode ficar com contas médicas na casa dos milhares de dólares devido à cobertura limitada. Esses planos devem ser evitados tanto quanto possível. Assemelham-se mais a planos de benefícios de acidentes do que a seguros de saúde reais. Eu recomendaria que os consumidores e pacientes obtivessem planos de seguro saúde que precisem cumprir os requisitos essenciais da Lei de Cuidados Acessíveis. Esses tipos de planos geralmente são mais abrangentes. Por último, eles devem examinar de perto quais são as cláusulas de compartilhamento de custos no contrato. Você pode ter seguro, mas esse seguro também incluirá sua parte dos custos, ou seja, franquias, copagamentos e co-seguros. A situação ideal seria um plano de baixa franquia e um em que o cosseguro seja limitado. Tenho visto muitos planos que afirmam que o cosseguro é 50% de todos os encargos. Isso não inclui franquias ou copagamentos. Pacientes e consumidores precisam estar cientes de que podem ficar presos com contas como resultado de cláusulas de alta divisão de custos na política”.

Pacientes com Covid-19 recebem contas milionárias

Como se já não bastasse o medo trazido pela Covid-19, muitas incertezas sobre o quão dispendioso pode ser uma conta médica para quem for contaminado rondam a cabeça de quem vive nos EUA nos últimos meses. Para se ter uma ideia dos absurdos, em Seattle, um senhor de 70 anos, recebeu uma conta de mais de U$ 1 milhão após ficar dois meses internado, e em muitos outros estados, notícias de cobranças médicas de centenas de milhares de dólares pululam a todo momento.  

A doutora Maria explica quais cuidados devem ser tomados para não acabar tendo que pagar uma fortuna caso a pessoa ou um familiar necessite de cuidados hospitalares em decorrência da Covid-19. “Antes de pagar qualquer provedor de assistência médica, é preciso ligar para a sua seguradora de saúde para saber o que será coberto ou não por ela. Alguns desses prestadores podem estar infringindo a lei ao cobrar pelo tratamento médico relacionado à Covid-19, por isso, é preciso estar ciente dos seus direitos, falar com seus prestadores de serviços médicos e garantir que solicitem a autorização de sua seguradora para todos os serviços, isso ajudaria a mitigar quaisquer problemas de não cobertura no futuro”.

O que fazer caso não concorde com o valor da conta

Entrar ou não na Justiça quando se recebe uma conta considerada alta é o dilema de muitos, pois o receio é que além de no final ter que pagar essa conta ainda tenha que arcar com os gastos judiciais. A advogada Maria explica que há casos e casos. “Isso vai depender dos problemas. Se a seguradora já pagou e há uma disputa quanto ao valor cobrado pelo hospital ou prestador de serviços médicos, a melhor coisa a fazer em primeiro lugar é entrar em contato com o hospital ou consultório médico para tentar acertar as despesas. Uma revisão dos procedimentos em healthcarebluebook.com daria ao paciente uma ideia de quais deveriam ser as taxas razoáveis ​​na área geográfica. Se o hospital ou médico cobrou taxas exorbitantes, a impressão do healthcarebluebook.com pode fornecer um valor razoável para negociar. Se eles ainda estiverem tentando cobrar quantias exorbitantes, e a quantia for maior que $ 20.000, eu diria que uma ação legal deve ser considerada para solicitar que o tribunal determine quais devem ser as acusações razoáveis. Se houver valores cobrados do paciente que a seguradora deveria ter pago, o paciente deve considerar uma ação judicial. Há casos em que uma seguradora de saúde deixa de pagar o que é obrigatório por lei. Cada apólice é diferente, então cada paciente deve perguntar sobre quais serviços médicos a apólice cobre. Se for constatado que a seguradora negou indevidamente a cobertura, e o paciente tem contas médicas, valeria a pena recorrer à Justiça. Existem leis na Flórida que exigem que uma seguradora pague honorários advocatícios quando as reivindicações são negadas injustamente. Cada caso é diferente, por isso é importante que o paciente discuta as questões legais com um advogado qualificado para determinar se ele pode ter direito à cobertura”.

You cannot copy content of this page