Criança imersa na obra do artista - Crédito: MIS
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As “cartas” de Cândido Portinari que agora chegam ao destinatário

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Exposição no MIS de São Paulo e Projeto Portinari na internet resgatam a vida e a obra do maior pintor brasileiro contemporâneo

No saguão principal do prédio das Nações Unidas, dois imensos painéis do artista plástico Cândido Portinari retratam a paz e a guerra, que a Ucrânia nos lembra todos os dias de suas chagas. Os painéis, com 280 metros quadrados, foram presentes do Brasil, em 1957. Quando Cândido Portinari pintou as telas, já tinha recomendação dos médicos que não usasse mais as tintas que estavam o intoxicando, principalmente pelo chumbo que havia na cor branca. Mas ele seguiu com o trabalho.

João Cândido Portinari ao lado de um dos painéis – Crédito: UN

Após os atentados das torres do WTC no 11 de setembro, em Nova York, The Lancet, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo, publicou uma edição especial onde a capa e a contracapa daquela edição foram os painéis de Portinari. O que está retratado na entrada da ONU é a essência do trabalho do artista plástico brasileiro que expos o sofrimento humano ao longo de toda a sua vida.

Para o filho, o professor e escritor João Cândido Portinari, a visão humanista e de compaixão pelo próximo, ele herdou do pai, Sr. Batista. João conta que, em Brodósqui, terra natal de Portinari, os sinos tocavam quando chegavam os leprosos na cidade. “Enquanto todos fechavam as portas e janelas, meu avô era o único que recebia os doentes e os acolhia com uma refeição”.

Painel Paz na sede da ONU, em Nova York – Crédito: UN

Certo dia, Cândido Portinari escreveu sobre o pai: “sinto, às vezes, carinho imenso por tudo e todo mundo. É passageiro e me entristeço. Penso em meu pai em quem esse estado era permanente. Coração rico e generoso. O meu é miserável”. Mas João completa lembrando que o Portinari era rigoroso demais consigo mesmo e tinha enorme compaixão pelo próximo, assim como o avô. “Mas compaixão no sentido da palavra inglesa de amor ao semelhante e não das línguas latinas que é ter piedade, pena”, explicou João. “Vejam que por trás da técnica suprema e do íntimo conhecimento da cor, pulsa a compaixão do homem diante do seu semelhante que sofre”, escreveu o jornalista Antonio Callado, biógrafo de Portinari sobre o artista.

Exposição no MIS Experince em São Paulo – Crédito: MIS

Essa dimensão da obra de Cândido Portinari está na exposição “Portinari para Todos” no MIS Experience, em São Paulo. A mostra é dividida em três áreas: a primeira com sete instalações interativas para que o público conheça mais vida e legado do artista; na sequência, o visitante ingressa numa sala que possibilita a imersão nas obras, em grandes projeções; e, por fim, o terceiro espaço contextualiza o acervo de Portinari e sua ligação com a cultura e história do país. “Essa exposição faz parte do programa Modernismo Hoje, que reúne mais de 400 atividades realizadas pelas instituições e corpos artísticos do Governo de São Paulo”, afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão.

Reprodução do painel Paz – Crédito: UN

“O Portinari teve que inventar o Brasil”, disse certo dia Tom Jobim. “Nenhum pintor pintou mais um país do que Portinari pintou o seu…”, falou o artista plástico e aluno dele, Israel Pedrosa. “A temática de Portinari é ampla em aspectos sociais, históricos, religiosos, o trabalho no campo e na cidade, a infância, as festas populares, a fauna e a flora e a paisagem do Brasil. É uma carta de 5.400 obras que ele escreve para o povo brasileiro, que não chegou ao seu destinatário até hoje”, resume João Cândido Portinari que é também fundador e diretor geral do Projeto Portinari. 95% da obra do maior pintor brasileiro contemporâneo está inacessível ao público. “Segregado em coleções particulares, em salas de bancos, Candinho se vai tornando invisível. Vai continuar desmembrado nosso maior pintor, como o Tiradentes que pintou?”, questionou Antonio Callado.

Guerra na sede da ONU, em Nova York – Crédito: UN

O Projeto Portinari nasceu, em 1979, para resgatar esse legado, assim como a exposição no MIS, e finalmente permitir, de certa forma, que as cartas cheguem ao destinatário. Site do Projeto Portinari: http://www.portinari.org.br/

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