Imagem do artista Eduardo Kobra na vanguarda, com o mural na Torre do Carnaval ao fundo
Arte

A democratização da arte

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Por Jade Matarazzo

A arte e a cultura materializam o direito de ser o que somos perpetuados nas gerações vindouras. É o modo como um povo sente e se expressa, segundo uma mesma identidade intertemporal. Antigamente a arte não era para todos, apenas um público muito seleto teria acesso às galerias ou museus, consequentemente limitando a arte a pequenos grupos em posições socioeconômicas privilegiadas.
A questão de democratização da arte tem estado muito ligada à discussão entre cultura erudita e cultura popular, com a distinção entre história natural e história política ou, se quisermos, entre cultura e natureza. Hoje a questão da democratização da arte está de certa forma ligada à democratização da sociedade, questão essa que pode ser vista no campo dos direitos políticos, sociais, culturais e ambientais.

Mas o que é exatamente a democratização da arte?
A arte é um direito de todos, para todos, assim, a democratização é o processo pelo qual a arte se torna difundida para todas as classes da sociedade, inclusive as mais periféricas, de maneira popular.
As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais à liberdade de expressão, à religião, à proteção legal igual e à oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade. Assim, a democratização da arte seria torná-la pública e acessível a qualquer pessoa. Infelizmente, isso não acontece tal como deveria, o que pode ser facilmente comprovado pela imensa quantidade de galerias de arte que cobram taxas de entrada e pela mera existência destas, que desclassificam muitos artistas que não possuem suas obras nessas instituições.

Assim, surgem muitas formas de expressão que combatem a elitização da arte, e o primeiro sino que toca na nossa cabeça quando pensamos na aplicação do conceito de democracia na arte é o grafite. Ele faz com que a única capacidade necessária a um sujeito para entrar em contato com essas obras seja a circulação pela cidade, pois o próprio meio urbano é sua forma de expressão.

O grafite, por exemplo, “inverte o processo da relação arte-público”. Ao invés de o público ir até um local para ver as obras do artista, as obras e os artistas encontram o público nas ruas, no cotidiano, em meio ao caos moderno da vida urbana e na conjuntura capitalista. É então quebrada a elitização da arte, os resquícios de seu academicismo, tanto em nível técnico, quanto em nível expositivo. Toda a cidade vira museu e o grafite e a arte de rua tornam-se objetos de apreciação e causadores de reflexão.

A internet também surge nesse contexto como uma agente democratizadora, já que permite que muitas obras se tornem públicas. Um exemplo do uso dessa ferramenta, com esse objetivo, são os sites de galerias virtuais que tornaram-se plataformas democráticas para artistas sem espaço nas galerias.Algo muito importante nessa discussão é que a democratização da arte não ocorre em mão única. Ela não apenas defende o acesso de qualquer espectador à arte, mas também de possíveis criadores. A arte de rua e, nas ruas, também possibilita o intercâmbio cultural, como no caso de projetos de arte que levam artistas a outros países para expressarem suas mensagens a novos públicos.

É o caso do artista brasileiro Eduardo Kobra que, frequentemente, viaja o mundo espalhando, não apenas sua arte, mas por meio dela mensagens de importância global. Como Kobra, há outros artistas que seguem essa mesma linha e são conhecidos mundialmente, como Banksy da Inglaterra, Belin da Alemanha, Smug da Escócia e muitos outros.
Foto: Eyeworks Productions

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