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( votes)Curadoria reúne produções brasileiras e internacionais que podem ajudar a ampliar o repertório cultural e estimular conversas sobre arte, identidade e sociedade
O cinema brasileiro vive um momento de destaque internacional. Depois da vitória de “Ainda Estou Aqui” no Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, o país voltou a ganhar espaço na premiação com “O Agente Secreto”, que recebeu quatro indicações em 2026.
O reconhecimento pode ser também uma oportunidade para aproximar crianças e adolescentes do cinema e mostrar que filmes e animações podem ir além do entretenimento. Quando acompanhadas de conversas e reflexões, essas produções ajudam a ampliar o repertório cultural, estimular a criatividade e desenvolver o pensamento crítico.
Segundo Rafael Pawlina, assessor de Arte da Aprende Brasil Educação, o audiovisual pode funcionar como uma ponte entre os conteúdos e o universo dos jovens.
“Os filmes não são apenas uma forma de ilustrar temas específicos, eles também criam experiências significativas que ampliam o repertório, favorecem a escuta e o diálogo e abrem espaço para debates importantes sobre cultura, identidade, história e criatividade”, explica.
Para o especialista, a experiência não precisa acontecer apenas na escola. Assistir a um filme em família também pode criar oportunidades para conversar sobre os personagens, suas escolhas, os conflitos apresentados e as diferentes interpretações possíveis.
A partir dessa perspectiva, Pawlina preparou uma seleção de produções para diferentes faixas etárias.
Despertando a imaginação: de 6 a 10 anos
Nessa faixa etária, histórias visualmente marcantes podem estimular a imaginação e apresentar diferentes formas de expressão artística.
“O Menino e o Mundo” (2013)
A animação brasileira utiliza desenhos simples, música e uma narrativa poética para abordar questões sociais e estimular a percepção sobre cores, traços e expressão visual. Disponível no Prime Video e Claro TV+.
“O Pequeno Príncipe” (2015)
A produção combina stop motion e animação 3D para apresentar uma nova versão da obra clássica. Criatividade, infância e sensibilidade estão entre os temas que podem ser trabalhados a partir do filme. Disponível no Prime Video, Globoplay, Telecine, YouTube (compra ou aluguel) e Claro TV+.
Curtas de “Minhocas” e “Peixonauta”
Produções brasileiras que podem ser utilizadas para incentivar a curiosidade e apresentar o desenho e a narrativa audiovisual como formas de expressão e descoberta. “Minhocas” está disponível no Claro TV+; “Peixonauta”, no Prime Video, Globoplay, Claro TV+ e YouTube.
“Kiriku e a Feiticeira” (1998)
A animação apresenta referências da cultura africana e uma estética visual própria, ajudando a ampliar o repertório cultural das crianças. Disponível periodicamente no MUBI.
Instigando o senso crítico: de 11 a 14 anos
A partir dessa idade, os jovens já conseguem analisar com maior profundidade os elementos presentes em uma produção audiovisual. Filmes que apresentam diferentes linguagens artísticas, contextos históricos e questões sociais podem servir como ponto de partida para discussões.
“O Mistério de Picasso” (1956)
O documentário acompanha Picasso enquanto ele pinta, permitindo observar o processo criativo e discutir a ideia de arte como experimentação. Disponível periodicamente na Apple TV.
“Com Amor, Van Gogh” (2017)
Produzido com pinturas a óleo, o filme apresenta a vida e a obra de Vincent van Gogh a partir de uma estética diretamente relacionada ao trabalho do artista. A produção pode estimular discussões sobre cores, pinceladas e linguagem visual. Disponível no Prime Video e YouTube (compra ou aluguel) e Mercado Play.
“As Aventuras de Tintim” (2011)
A produção permite observar a relação entre cinema e histórias em quadrinhos, além de trabalhar composição, narrativa visual e diferentes linguagens. Disponível no Prime Video (compra ou aluguel).
“Persépolis” (2007)
A animação em preto e branco apresenta a história de uma jovem durante mudanças políticas e sociais no Irã e aborda temas como cultura e liberdade de expressão. É indicada para o 9º ano, com mediação adequada. Disponível periodicamente no MUBI e Prime Video.
Curtas da Pixar: “Lava” e “Piper”
As duas produções utilizam diferentes recursos de narrativa visual e podem servir como ponto de partida para observar composição, personagens, música e construção de histórias. Disponíveis no Disney+.
Filmes para pais e professores
Algumas produções são mais adequadas ao público adulto, mas podem ajudar pais e professores a aprofundar discussões sobre arte e, posteriormente, adaptar esses temas para crianças e adolescentes.
“Frida” (2002)
O filme apresenta a trajetória da artista mexicana Frida Kahlo e permite discutir arte, identidade, gênero e questões políticas. Disponível no Mercado Play e Paramount+.
“Camille Claudel” (1988)
A produção acompanha a escultora francesa Camille Claudel e sua relação com Auguste Rodin, abordando também a dificuldade de reconhecimento das mulheres no universo artístico. Disponível periodicamente no MUBI.
“Big Eyes” (2014)
Baseado na história da artista Margaret Keane, o filme aborda a disputa pela autoria de suas obras e pode estimular conversas sobre propriedade intelectual e reconhecimento artístico. Disponível no Mercado Play.
“Pollock” (2000)
A cinebiografia do artista Jackson Pollock apresenta aspectos de sua trajetória e do expressionismo abstrato. Disponível periodicamente no MUBI.
“Exit Through the Gift Shop” (2010)
O documentário relacionado ao universo de Banksy provoca reflexões sobre arte urbana, mercado de arte e os limites entre criação artística e comercialização. Disponível periodicamente no Prime Video (compra e aluguel).
O filme como ponto de partida
Mais do que escolher uma produção considerada educativa, o papel dos adultos é ajudar crianças e adolescentes a olhar para o que assistiram de maneira questionadora. Perguntas simples podem transformar uma sessão de cinema em uma experiência de aprendizado: por que determinado personagem tomou aquela decisão? O que o filme queria transmitir? Como a história poderia ter terminado de outra maneira? O que chamou mais atenção visualmente?
Para Pawlina, esse tipo de mediação é importante para que o cinema seja compreendido como uma linguagem artística e não apenas como uma ferramenta para preencher o tempo.
Assim, filmes e animações podem ocupar um espaço dentro e fora da sala de aula, contribuindo para a formação de repertório, a expressão de opiniões e o desenvolvimento da capacidade de interpretar diferentes perspectivas sobre o mundo.
Foto: Canva













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