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( votes)Especialista explica como pessoas autistas podem acompanhar os jogos respeitando seus limites e necessidades sensoriais
A Copa do Mundo costuma transformar a rotina de milhões de pessoas. Jogos, encontros com amigos, festas, bares lotados e comemorações fazem parte do clima do torneio. Mas nem todo mundo vivencia essa experiência da mesma forma.
Para adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o excesso de estímulos presente durante a competição pode tornar momentos de lazer em situações desgastantes. Sons altos, multidões, mudanças de rotina e ambientes imprevisíveis podem gerar desconforto e sobrecarga sensorial.
Segundo o neurologista Dr. Matheus Trilico, especializado em TEA e TDAH em adultos, não existe uma única forma de torcer.
“Algumas pessoas acompanham todos os jogos, conhecem estatísticas e vivem intensamente o campeonato. Outras preferem assistir em ambientes mais tranquilos ou participar de forma diferente. O importante é respeitar o próprio funcionamento”, explica.
Durante a Copa, situações comuns como fogos de artifício, buzinas, gritos, música alta e grandes aglomerações podem exigir um esforço adicional de processamento sensorial.
“O cérebro autista percebe os estímulos de maneira diferente. Em alguns casos, ambientes muito intensos podem causar cansaço, irritação e necessidade de isolamento para recuperação do equilíbrio emocional”, afirma o especialista.
Quando TEA e TDAH acontecem juntos
Outro aspecto destacado pelo neurologista é a coexistência entre autismo e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), condição frequentemente chamada pela comunidade neurodivergente de AuTDAH.
Segundo ele, essa combinação pode gerar desafios adicionais em eventos como a Copa do Mundo.
Enquanto características do autismo costumam buscar previsibilidade e controle do ambiente, o TDAH tende a demandar estímulos constantes. Em situações com muitas mudanças, barulho e movimentação, esses fatores podem aumentar o desgaste emocional.
Não existe uma forma certa de torcer
Existe uma expectativa social de que todos participem da Copa da mesma maneira. Porém, especialistas lembram que cada pessoa pode encontrar seu próprio jeito de acompanhar o torneio.
Assistir aos jogos em casa, usar fones com redução de ruído, fazer pausas durante eventos longos e escolher ambientes mais tranquilos são algumas estratégias que podem ajudar.
“Participar não significa suportar tudo. É possível criar uma experiência que seja confortável e prazerosa, sem transformar o lazer em obrigação”, afirma Trilico.
O peso de tentar se encaixar
Outro ponto importante é o chamado masking, termo usado para descrever o esforço de esconder características naturais para se adaptar às expectativas sociais.
Durante grandes eventos, muitas pessoas autistas tentam demonstrar entusiasmo ou tolerar situações desconfortáveis para evitar julgamentos.
Segundo o especialista, esse esforço pode resultar em esgotamento emocional, ansiedade e necessidade de recuperação nos dias seguintes.
Inclusão também é respeitar diferenças
A discussão ganha relevância durante uma Copa realizada nos Estados Unidos, país que receberá milhões de visitantes e eventos em diferentes cidades.
Para o neurologista, inclusão também significa reconhecer que existem diferentes formas de participar de momentos coletivos.
“O mais importante é que cada pessoa tenha liberdade para viver a experiência da maneira que faça sentido para ela. Diferentes formas de torcer são igualmente válidas”, conclui.
Para alguns, a Copa será sinônimo de festas e grandes encontros. Para outros, será um momento de acompanhar os jogos em silêncio, no próprio ritmo. E tudo bem.
Sobre o especialista
Dr. Matheus Luis Castelan Trilico — CRM 35805/PR | RQE 24818
Médico formado pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; Pós-graduado em Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Mais conteúdos sobre TEA e TDAH em adultos estão disponíveis em: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/














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