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Uso de máscaras dificulta a comunicação com surdos

Dia 10 de novembro é o Dia de Prevenção e Combate à Surdez e especialista orienta sobre uso de máscaras transparentes e cuidados com a saúde auditiva  

A pandemia do novo coronavírus acrescentou diversas dificuldades no dia a dia da população, mas uma parcela da população sentiu a dificuldade de comunicação se acentuar: as pessoas surdas ou com perda parcial da audição.  Segundo o Ministério da Saúde, 5,8 milhões de brasileiros enfrentam a doença. E neste dia 10 de novembro, quando é comemorado o Dia de Prevenção e Combate à Surdez, a fonoaudióloga Floripes Oliveira chama a atenção para a importância de cuidar da saúde auditiva e de se buscar formas para melhorar a comunicação com esse público neste período de pandemia. 

O uso de máscaras, que passou a ser parte da rotina das pessoas, tem sido uma situação desafiadora para os surdos. “A máscara trouxe implicações, pois uma vez que ao cobrir a boca, uma parcela importante da forma de comunicar se perde: a leitura labial, que normalmente é complementada pela linguagem de sinais”, afirma. É importante lembrar que nem toda pessoa surda utiliza a linguagem de sinais. Para as pessoas que têm convívio diário com elas, a indicação é o uso das máscaras transparentes, como explica a fonoaudióloga Floripes Oliveira. 

Além da dificuldade da comunicação, outro grande problema que ainda aflige a população é a falta de informação sobre a doença. Segundo Floripes, é preciso falar sobre o assunto, pois muitas pessoas ainda não sabem que existem tratamentos eficazes para lidar com esse problema e algumas acabam sendo privadas de uma melhoria em sua qualidade de vida.  Existem muitos tratamentos para a surdez diagnosticada. O uso dos aparelhos auditivos, por exemplo, é uma solução que, segundo a fonoaudióloga, pode ser usada pela grande maioria dos tipos e graus de perdas auditivas. “Em alguns casos pode ser necessária a correção auditiva ou deformidade por meio de cirurgia”, finaliza Floripes.  


Causas e sintomas

De acordo com a profissional, a perda auditiva ou surdez pode ocorrer por causas congênitas, por traumas, súbita ou gradual, por predisposição genética, uso prolongado de antibióticos ou até mesmo por exposição a ruídos intensos ou como efeito colateral de outras doenças que afetam o órgão da audição. Ela lembra que o Exame de Emissões Otoacústica, o popularmente conhecido como teste da orelhinha,  ajuda a detectar problemas de surdez precocemente. “No adulto, a audiometria é o exame realizado para medir a acuidade auditiva e diagnosticar possíveis perdas”, explica. 

Ainda segundo o MS, a principal causa de surdez no Brasil é a Presbiacusia, perda auditiva causada por envelhecimento, parte em pessoas que passaram longos períodos expostas a ruídos e sons muito altos. “Um dos hábitos comuns do dia a dia é passar longos períodos com fones de ouvido ouvindo músicas em volume muito alto, e isso também se enquadra como causador da doença em algum momento da vida”, pontua. 

Já a surdez congênita, otites e prematuridade atingem mais as crianças, enquanto a meningite, problemas vasculares e otosclerose podem causar surdez em adultos jovens. Outras doenças que podem causar perda de audição e precisam de atenção são as infecções agudas por vírus e bactérias, infecções crônicas associadas à presença de tumores, doenças metabólicas como diabetes e hipertensão, e também, em menor frequência, as doenças autoimunes. 

Floripes explica que há casos em que de um momento para o outro ocorre uma dificuldade auditiva ou uma percepção sonora “incorreta”. “A pessoa passa a ouvir o ambiente que o rodeia em um ouvido ou ambos de forma mais silenciosa. “As vozes e a música subitamente soam diferentes ou estranhas. Todos os sons parecem estar embrulhados em algodão. Em outras situações a pessoa começa a ouvir sons duplos subitamente. Se torna difícil detectar a direção do som”, explana. Nestes casos, ela orienta o paciente a buscar imediatamente auxílio médico. 

Vale lembrar que  o fonoaudiólogo especialista em audiologia exerce papel fundamental na equipe de reabilitação auditiva. Atua na avaliação e realização de exames diagnósticos e monitoramento da audição. É esse profissional que identifica o grau de surdez existente. “Assim, é possível concluir se a perda é leve, moderada, severa ou profunda. Essa avaliação é feita para que o profissional possa indicar o melhor opção de aparelho auditivo de acordo com as necessidades e realidade do paciente. Afinal, só usar o aparelho não é suficiente, é necessário que o fonoaudiólogo faça a adaptação individual de acordo com o perfil e grau da surdez”, detalha Floripes.