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Ministra Anielle Franco quer maior protagonismo para pessoas negras no Brasil

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O Podcast ONU News entrevista a ministra Anielle Franco, que lidera a pasta da Igualdade Racial do Brasil.  Ela esteve na sede da ONU no fim de maio para participar do Fórum Permanente sobre Afrodescendentes.

Na entrevista, a ministra disse que é preciso investir em uma “educação antirracista” e aumentar as oportunidades para pessoas negras, que segundo ela ainda sofrem com descaso e falta de empatia no Brasil.

Letramento racial

“Eu falo a educação como um todo, de um letramento racial, de uma empatia, de se colocar no lugar de pessoas negras. Eu sinto a falta disso no Brasil ainda. Eu sinto os olhares quando passa uma mulher negra com turbante ou com uma roupa colorida. Aquele olhar de desprezo ainda. As pessoas estão se perdendo dos seus valores, infelizmente. A gente tem visto e acompanhado muito isso. Esse descaso, esse desprezo com pessoas negras que às vezes, mesmo ascendendo socialmente, como é o caso do Vinícius Júnior, que é um menino jovem de 22 anos, que é um menino negro. Ainda assim as pessoas não têm empatia de olhar com carinho, com cuidado e falar ‘nossa, que bom que ele venceu’. Ele foi uma exceção à regra. Falta muito no Brasil.”

Anielle Franco ressaltou que “as pessoas pretas no Brasil estão todas sub representadas em lugares e espaços de decisão, mas extremamente representadas em espaços de violência”.

Superação pessoal

Tomando como base a própria trajetória, a ministra disse que cargos como o dela devem ser ocupados por aqueles que passaram “alguma necessidade anteriormente” para defender um povo ou uma causa.  Um momento em que lembrou da irmã, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, que foi assassinada a tiros durante o mandato, em 2018.

“E estar nesse lugar, tendo passado por tudo o que eu passei, vindo da favela da Maré, tendo bolsa de estudos, sendo atleta como você muito bem fala, perdendo a minha irmã da maneira que foi, eu acho que me fortalece para estar aqui com muita responsabilidade, mas sempre ouvindo as pessoas que mais necessitam.”

Porém, Anielle Franco ressalta que ainda existe muita resistência ao aumento do protagonismo de pessoas negras no Brasil.

Espaços de protagonismo

“Eu vejo muita luta. Acho que a gente tem muita luta ainda pela frente, acho que não acabou. Eu vejo a gente galgando e alcançando espaços de protagonismo, de poder. É importante a gente seguir falando que pessoas negras estão preparadas para entrarem, estarem e se manterem em qualquer espaço de decisão. Eu sei que não vai ser fácil. Eu sei que no Brasil, especificamente falando da nossa pasta, a gente precisa cuidar deste povo com educação, com saúde, com emprego.”

De acordo com ela, das 33 milhões de pessoas que passam fome no Brasil atualmente, 70% são negras.

Para mudar esse quadro, a ministra considera essencial investir em um modelo de educação onde crianças negras se sintam “confiantes nos seus sonhos e tenham uma vida melhor.”

Educação antirracista

“E um outro ponto que eu acho crucial é termos professores e professoras antirracistas. Não adianta a gente colocar professores dentro da sala de aula de uma escola pública, por exemplo, onde o público majoritário é de crianças negras, e que eles não tenham empatia, ou não mostrem representatividade, ou não entendam a importância daquela criança estar ali. Muitas crianças negras no Brasil só comem nas escolas públicas, só comem naquela escola. É a única alimentação daquele dia.”

Como marcas da sua gestão, Anielle Franco citou a criação de uma base de dados com mais de 10 mil currículos de pessoas negras. A iniciativa resultou na contratação de muitos profissionais para o Ministério chefiado por ela, bem como para outros Ministérios, órgãos públicos e empresas.

Liderança internacional

A ministra Anielle Franco também destacou a renovação da cooperação entre Brasil e Estados Unidos, por meio do Plano de Ação Conjunta para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica e Promover a Igualdade, Japer, na sigla em inglês.

A parceria iniciada em 2003 estava parada desde 2013 e foi retomada em maio deste ano. Segundo a ministra, uma das prioridades será combater o “genocídio da população negra.”

A ministra da Igualdade Racial acredita que o Brasil pode “liderar pelo exemplo”.  

Leia a entrevista na íntegra aqui

Via ONU News

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