Obra de Jean-Michel Basquiat of Sugar Ray Robinson (1982) foi vendida devido a um post no Instagram supostamente por cerca de US$ 24 milhões
Arte

Como o Instagram está revolucionando o mundo da arte

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Por Jade Matarazzo
Desde o seu lançamento em 2010, o aplicativo de compartilhamento de fotos e vídeos se tornou um dos pilares do mundo da arte. Originalmente um aplicativo que usava filtros para adicionar uma estética retro a fotos tiradas em telefones, a plataforma de propriedade do Facebook tornou-se um lar para artistas, colecionadores de arte e curadores como nenhuma outra rede social.

Porém, há controvérsias sobre as coisas boas e ruins que acontecem nesse universo relativamente novo para artistas e mercado.

Nos últimos oito anos, o Instagram tornou-se uma ferramenta indispensável e multifacetada para tudo relacionado à arte. Os revendedores relatam cada vez mais vendas para colecionadores cujo interesse foi estimulado ao ver o trabalho no aplicativo. Para museus e galerias, é uma maneira essencial e econômica de criar audiências e feiras no mercado. Artistas emergentes usaram-no para se estabelecer e encontrar colecionadores e as estrelas do mercado de arte também estão adotando isso, de diversas maneiras.

A arte em si é um tema tão forte no Instagram que o #art foi a quinta hashtag mais usada no aplicativo no ano passado. No entanto, a popularidade universal do aplicativo não é apenas uma questão simples de compartilhar fotos. O fácil acesso aos compradores é um benefício óbvio ao artista e aumenta a produção de trabalhos artísticos originais no Instagram. Mas uma das questões difíceis que os artistas estão enfrentando atualmente é a perda de controle sobre as imagens públicas. Muitas vezes, as obras originais são captadas por “screen shots” e depois divulgadas sem consentimento. Em uma época em que um JPEG tem quase tanto valor quanto o objeto físico, isso é problemático. Artistas declaram que seus trabalhos muitas vezes são retirados do Instagram e incluídos em publicações sem serem compensados e até mesmo sem serem notificados. A duplicação e o roubo são igualmente comuns. Muitas vezes, a arte é também publicada sem crédito ou, pior, creditada a um estranho. Algumas pessoas acham que os artistas deveriam se sentir lisonjeados pela imitação, mas, na realidade, o uso indevido acaba dificultando a utilização dessas imagens mais tarde, além de o artista correr o risco de ser acusado de se apropriar de seu trabalho depois de ser reciclado e republicado na Internet milhares de vezes.

Como muitos millennials, o artista Andrea Crespo cresceu na internet. Sua arte, que foi amplamente mostrada, inclusive no Whitney e no Walker Art Center, bem como on-line, investiga o fenômeno digital no mundo artístico. Em uma de suas entrevistas Crespo alega que estava inicialmente interessado no Instagram e sentiu que a plataforma seria como uma “extensão de [sua] presença no mundo da arte”, mas também como um termômetro de sua própria prática artística. Ele logo descobriu que havia um aspecto de dois gumes em estar tão on-line e ficou preocupado com o quanto ele estava atendendo às notificações de aumento de endorfina. “Os sistemas de recompensa nas mídias sociais estavam influenciando suas decisões durante o processo de criação na arte. Crespo confessa que passou a sentir-se ligado demais no que as pessoas pensariam baseado em curtidas e comentários. Como sua recepção foi tão rápida e carregada de tantas pistas bioquímicas e sociais, Crespo começou a considerar a atividade de mídia social como uma métrica avaliadora “muito ruim para a arte”. Ele conta que começou a fazer arte não para si mesmo, mas para a corrida da dopamina que aumenta à medida que cada toque duplo ilumina seu telefone.

E como em qualquer coisa na vida, também na arte o timing é tudo. Com a arte no Instagram, o timing tornou-se acelerado e desacelerado. A hora é sempre agora, e se a pessoa certa se depara com o seu “feed” e se conecta com o que você faz, a venda ou a oportunidade virão. Assim, enquanto os artistas correm o risco de roubo ou a desvalorização de suas ideias e trabalhos, eles o fazem em uma plataforma onde muitos outros interessados estão dispostos a ajudar e a espalhar as boas novas em uma velocidade e amplitude que jamais existiram no mundo da arte antes.

Enquanto embarcava em um avião para Hong Kong no final de 2016, Brett Gorvy, então chefe global de arte contemporânea e pós-guerra na Christie’s, postou uma imagem de uma obra de Jean-Michel Basquiat em seu feed no Instagram. Ao desembarcar, descobriu que tinha três mensagens de texto de clientes interessados em comprar o trabalho de 1982, um retrato de Sugar Ray Robinson e parte de uma exposição de vendas privadas. Um cliente rapidamente reservou a obra e a comprou dois dias depois, supostamente por cerca de US$ 24 milhões. Hoje, olhando para trás, Gorvy afirma que tudo aconteceu por acaso. Seu post, ele explica, “não era sobre marketing ou vendas. Foi como se eu tivesse algo realmente especial e adoraria que o público o compartilhasse”. Apesar de seu desdém, essa venda – amplamente considerada como a primeira grande transação do Instagram – sinalizou o poder que o aplicativo tinha alcançado nos escalões superiores do mundo da arte, onde não há muito tempo os negociantes mantinham firmemente a ideia de que nenhum verdadeiro colecionador sonharia em comprar de um JPEG.

Foto: Reprodução/BrettGorvyInstagram

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