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A visão de Alberto Carvalho sobre a volta às aulas

Por Fernanda Tótoli

Em entrevista exclusiva concedida à Acontece Magazine, Alberto Carvalho, superintendente das Escolas Públicas do Condado de Miami-Dade desde 2008, falou um pouco sobre os problemas iniciais, o trabalho dos distritos escolares e o futuro do ensino enquanto a pandemia ainda for uma realidade.

Escolas, professores, pais e alunos estão aprendendo a lidar com a nova rotina de ensino e é normal que exista uma dificuldade inicial. Como a superintendência vai ajudar neste período de adaptação, mesmo com o cancelamento da plataforma K12? Nas Escolas Públicas do Condado de Miami-Dade, temos alguns dos melhores professores do país; e eles, junto com o apoio acadêmico, viabilizaram um sistema com a classificação A que somos. Fornecemos amplo desenvolvimento profissional nas plataformas que estamos utilizando agora, no lugar do K12, em conjunto com uma ampla variedade de aplicativos de aprendizagem online eficazes. Continuaremos a fornecer orientação, suporte e agilidade ao nosso incrível staff instrucional que está provando, mais uma vez, que supera todos os obstáculos e está entre os melhores do mundo.

Provavelmente teremos um ano letivo inteiro atípico – quem sabe até 2022 – até que uma vacina seja aprovada e a população imunizada. Como enxerga o futuro do ensino a médio e longo prazo, enquanto ainda houver pandemia? O M-DCPS vem se preparando há vários meses para a reabertura de escolas por meio de higienização profunda intensiva e contínua, manutenção e modificação física de locais escolares, segurança de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), desenvolvimento de protocolos e processos para garantir o distanciamento em todos os momentos, um programa de investigação e rastreamento de contatos e painel de dados para garantir a disseminação de informações relacionadas ao COVID-19 em tempo real e muito mais.

Acredito que os professores continuarão a se tornar cada vez mais hábeis em facilitar o ensino à distância e utilizar as tecnologias mais recentes para ensinar e se conectar com nossos alunos. Mas, em última análise, o futuro da educação hoje e o futuro da educação amanhã, mesmo após COVID-19, continua a ser impulsionado pelo mesmo princípio fundamental: educação é igual à oportunidade. O que vivenciamos este ano e conforme continuamos a seguir as diretrizes de saúde é um teste de nossa resiliência como educadores e alunos. Aprender a administrar o desconhecido, as variáveis, é e continuará a ser uma lição que só nos tornará melhores educadores e melhores alunos.

E o que podemos tirar como lição desta pandemia e todas as mudanças que ela exigiu? Acredito que esta emergência de saúde global serviu como uma lição séria para todos que devemos estar sempre preparados para nos adequar; e que não importa quais desafios estão diante de nós – seja garantir que os alunos mais frágeis continuem tendo o que comer, ou que todos os alunos estejam equipados com dispositivos e Internet, que se tornaram essenciais para a aprendizagem – devemos, coletivamente, continuar a apoiar a educação pública. Sem isso, não pode haver equidade em nossa sociedade.

Foto: Cortesia/ Miami-Dade Public Schools