Angerami
Arte

A arte em metamorfose com o universo

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Por Jade Matarazzo

Aos 38 anos de idade, Angerami viaja para lugares cada vez mais longínquos de sua cidade natal para estudar a história e a prática dos clássicos – como os bizantinos e seus monastérios minuciosamente pintados à mão no século XIII. Quanto mais atual é a produção de Angerami, mais ela se encontra com antigos e traça paralelos entre técnicas tradicionais de pintura e abordagens conceituais contemporâneas.

Fortemente ligado a suas crenças sobre o fazer artístico, ele apresenta uma pintura em óleo e folha de ouro 23K e uma estreita relação com os minerais e a natureza, reforçando a importância que dá a cada pincelada em suas obras, sejam elas feitas em tela, madeira ou parede.

As inúmeras imersões e residências artísticas se encontram com sua característica mais pessoal de metamorfosear-se com o universo. Suas expedições para pintura ao ar livre geraram interesse em comunidades indígenas que acabaram participando de suas oficinas, dividindo sua produção em duas vertentes: estúdio e ar livre. Em uma encontram-se versões criadas em ateliê de suas paisagens da memória, onde o artista liga-se a suas referências e se permite criar universos imaginários. Na outra, absorve as camadas alcançadas pelos olhos, interpreta a mudança de luz nos ambientes externos conforme o tempo passa e vivencia por horas cada espaço e suas vidas.

Por cerca de dez anos o artista viajou pelo Brasil para pintar paisagens ao vivo, plain air, explorando novos territórios, buscando a solidão e o silêncio atemporal da paisagem. O diálogo com as pessoas residentes desses locais passou a fazer parte de suas atividades pela compreensão da necessidade dessa interação, o que o levou a carregar consigo materiais de pintura para promover oficinas de arte com essas pessoas.

Criou o Projeto Trajetórias, visando promover oficinas de arte nessas localidades distantes dos centros urbanos, como comunidades quilombolas, aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas. O projeto possibilita uma grande troca cultural, pois se de um lado há o ensinamento de técnicas artísticas, do outro há também o aprendizado sobre esses diferentes saberes tradicionais, modo de vida e relação com o mundo e com a natureza. “Essa troca exerce uma influência fundamental na minha maneira de entender e pensar o trabalho artístico”, afirma Angerami.

No trabalho de atelier, criou a série intitulada “Sobre Estrelas”, há cerca de dois anos, em que a compreensão da paisagem era a experiência do tempo a partir do uso da folha de ouro. Explosão estelar. Depois, a série “Náufrago em Mim” refere-se ao grande mistério da condição humana subjacente ao seu próprio olhar e diante de si na contemplação de sua alma. Uma das obras desta série chegou a Miami em 2017, participou da exposição Art Brazil e seguiu para o Japão com grande sucesso.

Em seu contínuo processo de pesquisa, quando está em lugares públicos como museus, cafés, livrarias, o artista costuma fazer retratos das pessoas que estão nos locais em seu caderno, para depois desconstruir a imagem e transformá-la em montanhas e paisagens.

Paisagem Abstrata 20 90x130 cm

Naufrago Em Mim Dialogo 6

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