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( votes)Ex-participante do The Voice Kids Brasil, profissional formada pela Berklee atua em Miami ao lado do produtor Emilio Estefan e já trabalhou em campanhas de grandes nomes da música latina
Quando se fala em brasileiros que conquistam espaço na indústria musical internacional, a imagem mais comum é a de artistas diante dos holofotes. Mas, por trás de grandes lançamentos, existem profissionais responsáveis por construir estratégias, desenvolver identidades e aproximar artistas de públicos ao redor do mundo.
É nesse universo que atua Giovana Khair Cunha, brasileira que trocou os palcos pela estratégia e vem construindo uma carreira na indústria musical em Miami.
Ex-participante do The Voice Kids Brasil, Giovana se formou pela Berklee College of Music, em Boston, com dupla graduação em Music Business e Songwriting. Atualmente, trabalha como estrategista digital e social media manager no ecossistema profissional do produtor Emilio Estefan, contribuindo para projetos que conectam música, cultura e diferentes públicos.
Sua trajetória acompanha uma transformação na própria indústria musical. O sucesso de um artista depende cada vez mais não apenas da música, mas também da construção de narrativas, comunidades e identidades capazes de atravessar fronteiras.
Dos palcos à estratégia
Antes de trabalhar com Emilio Estefan, Giovana passou pela Ranked Music, empresa sediada em Miami. Ela começou como estagiária e posteriormente passou a liderar campanhas digitais para artistas como Anitta, Karol G e Alejandro Fernández.
Entre os projetos dos quais participou está a campanha de “Gata Only”, de FloyyMenor e Cris Mj, hit que alcançou rapidamente a marca de 1 bilhão de reproduções no Spotify.
Para Giovana, porém, trabalhar com estratégia musical não significa simplesmente acompanhar números e algoritmos.
“Hoje, o público não apenas consome música — ele se conecta com identidade, comunidade e cultura.”
Segundo ela, entender a trajetória e a identidade de um artista é parte fundamental para criar uma comunicação que estabeleça conexão verdadeira com o público.
“As pessoas querem entender quem é o artista, de onde ele vem e o que representa.”
Brasil @ Berklee
A relação de Giovana com a construção de identidades culturais começou ainda durante sua passagem pela Berklee.
Ao perceber que os estudantes brasileiros não tinham um espaço próprio dentro da comunidade internacional da universidade, ela criou o Brasil @ Berklee, iniciativa estudantil dedicada a apresentar diferentes aspectos da música brasileira contemporânea.
O projeto resultou no evento A Night in Brazil, realizado no Berklee Performance Center. Com ingressos esgotados, o showcase reuniu mais de 700 pessoas e apresentou diferentes vertentes da música brasileira, passando pelo samba e pela MPB até chegar ao funk e ao pop contemporâneo.
A iniciativa também nasceu de uma percepção pessoal da profissional sobre a maneira como a música brasileira é vista internacionalmente.
“Crescendo, percebi que conhecíamos muito pouco sobre o restante da América Latina, e muitas pessoas de fora do Brasil sabiam muito pouco sobre nós além da bossa nova.”
A experiência em Miami ampliou essa perspectiva e aproximou Giovana de um mercado no qual diferentes culturas latino-americanas convivem e influenciam umas às outras.
A música como diplomacia cultural
No trabalho com Emilio Estefan, essa conexão entre música e identidade cultural ganhou uma nova dimensão.
Conhecido por sua trajetória na música e por sua relação com a construção do chamado “som de Miami”, Estefan trabalha há décadas com a mistura de influências latino-americanas, caribenhas e norte-americanas que caracteriza a cidade.
Giovana participa da construção das narrativas digitais de projetos recentes do produtor, entre eles “Love Always Wins”, interpretada por ZEMA, Shaggy e Cimafunk.
A música integra a trilha sonora oficial da Copa do Mundo FIFA 2026 e dialoga justamente com a identidade multicultural de Miami, cidade que recebeu partidas do torneio.
Para Giovana, projetos desse tipo mostram que a música pode ultrapassar o entretenimento e funcionar também como instrumento de conexão entre culturas.
“Não se trata mais de fazer com que os artistas soem mais americanos. O futuro pertence aos artistas que abraçam suas origens e contam essas histórias de forma autêntica.”
Uma carreira construída longe dos holofotes
A trajetória de Giovana Khair mostra um outro caminho possível dentro da indústria musical. Em vez de estar diante do microfone, ela atua na construção das estratégias que ajudam artistas e músicas a encontrar seu público.
Com experiências que passam pela Berklee, por campanhas de artistas internacionais e pelo trabalho ao lado de Emilio Estefan, a brasileira vem construindo uma carreira justamente na interseção entre música, marketing, cultura e comunicação digital.
À medida que a música latina amplia sua presença internacional, profissionais como Giovana também ganham relevância. São eles que ajudam a transformar uma música em narrativa, uma narrativa em comunidade e uma comunidade em conexão cultural.
No fim, algumas das vozes que mais influenciam a música internacional não estão necessariamente segurando um microfone. Estão nos bastidores, ajudando o público a entender por que aquela música importa.














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