Vida e Saúde

Vamos ter que reaprender a socializar?

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Camila Campanhã, professora doutora do curso de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, explica os motivos de sentirmos tanta falta das relações físicas na pandemia e detalha o medo diante da ressocialização

Com quase dois anos de distanciamento e reclusão social como medida de conter a proliferação do coronavírus, surgiram as reflexões sobre a importância das relações sociais presenciais e as consequências disso para a saúde mental.

Segundo a psicóloga e neurocientista Dra. Camila Campanhã, psicóloga e neurocientista professora do curso de Psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, o contato social presencial tem feito falta porque os seres humanos são essencialmente sociais. “Viver em grupo é o que tornou possível a sobrevivência da nossa espécie e o nosso cérebro evoluiu para interagirmos presencialmente com outras pessoas. Na interação social o cérebro registra uma série de informações não-verbais importantes para entender a intencionalidade do outro, se podemos confiar ou não nessa pessoa, suas emoções, sentimentos, entre outros”, avalia.

A especialista ainda explica que o cérebro humano interpreta como uma ameaça à sobrevivência o isolamento e a solidão, pois demonstra que o indivíduo não tem com quem contar em uma situação de perigo. A psicóloga aponta ainda, que além disso, o toque, o abraço e o contato físico representam suporte social e vínculo afetivo.

“Um abraço é capaz de diminuir o cortisol (hormônio do estresse) e aumenta oxitocina (neurohormônio do vínculo afetivo e confiança). Ou seja, desde bebês até adultos, o toque físico nos ajuda a reduzir o estresse, nos aproximar, e criar vínculo afetivo. Dessa forma, a interação social tem um papel importante na saúde mental, uma vez que a privação dessa forma de interação é altamente estressante e leva a depressão e ansiedade”, enfatiza a Dra. Camila.

Um outro ponto importante sobre o tema é em relação ao retorno gradativo da socialização presencial, pois, atualmente, vivencia-se o avanço da vacinação e as flexibilizações dos decretos. Mas a Dra. Camila questiona, vamos ter que reaprender a socializar mesmo sendo seres essencialmente sociais? Segundo a psicóloga, os indivíduos precisarão passar por uma readaptação social, uma vez que ainda não podemos nos aglomerar, abraçar e é necessário o uso de máscara, ou seja, está ocorrendo  uma mudança nas formas de socialização.

Segundo Camila, a retomada de atividades presenciais, também pode causar desconfortos em muitos indivíduos. A professora explica que o medo de socializar, por exemplo, é reflexo das questões que ainda estão em aberto em relação a COVID-19, como, a falta de saber como se comportar em um local fechado, se a pessoa ao lado está se cuidado, se ela tomou todas as doses da vacina ou até mesmo se está correndo risco de vida, entre outros.

“Estamos passando por um momento único na nossa história, ainda estamos aprendendo sobre a importância da interação social para a saúde física e mental, além de formas de lidarmos com a pandemia e dirimir as consequências deletérias. O importante é sempre estar atento a saúde física e mental e desenvolver estratégias para ajudar as pessoas neste processo de adaptação no novo normal”, conclui Camila.

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