Coronavirus

Testes de Covid-19 poderão ajudar na vacinação

Existem testes que identificam doadores de plasma convalescente para o combate de uma possível segunda onda de infecções

Embora o foco de todo o mundo esteja na vacina contra a Covid-19, Eduardo Takeshi, Vice-Presidente e Gerente Geral da Beckman Coulter na América Latina, adverte que ainda é preciso testar mais a população quando questionado da chegada do exame da multinacional ao país. 

Em pouquíssimos momentos da história da indústria de diagnósticos, tantas empresas e entidades regulatórias desenvolveram e aprovaram testes em um tempo tão recorde, de acordo com o executivo. “Acredito que ainda haja espaço para o lançamento de novos ensaios de alta qualidade, testados em uma população mais ampla, devido à demanda pandêmica”, afirma. 

A informação é corroborada por dados do IBGE, que mostram que, até agosto, só 17,9 milhões de pessoas tinham feito testes de Covid-19. O número representa apenas 8,5% da população do país. Takeshi, no entanto, pondera que é preciso informação antes de realizar qualquer exame já que as opções são muitas. “Primeiro, a recomendação é procurar um médico antes de decidir qual teste fazer. Especialmente porque os laboratórios não fornecem diagnósticos. Eles fornecem resultados de testes que devem ser avaliados e interpretados por um profissional especializado”.  

Hoje existe o RT-PCR – considerado padrão ouro para diagnóstico da doença -, o teste rápido e várias opções de sorológicos em formatos combinados e isolados – para identificar a produção de anticorpos contra o coronavírus. Mas qual é o indicado para cada situação e qual o melhor entre todos? 

De acordo com a infectologista Nancy Bellei, mestre e doutora em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Unifesp, a realização do teste combinado pode demandar a realização de outros testes na sequência. “Ao fazer o teste combinado e verificar um resultado positivo, não é possível saber se estamos detectando muito IgM, se foi detectado apenas IgG ou se é o caso de uma IgM, que pode ser falso positiva, já que a imunoglobulina M é mais inespecífica”, explica. 

Ela acrescenta que, ao não usar um teste específico, separado, se o resultado for positivo, não é possível caracterizar se o paciente está com a Covid-19 naquele momento ou se já teve. Afinal, a imunoglobulina M costuma ser detectada pouco tempo após o contágio, já na primeira semana, enquanto a G tende a aparecer apenas de 7 a 14 dias depois. “Se o resultado for positivo, provavelmente o paciente tenha que ser submetido a novos exames. A um teste de RT-PCR e, eventualmente, se esse der negativo, a um teste de IgG isolado. Já se o resultado para o teste combinado for negativo, o paciente pode estar em uma janela imunológica, em que não sabemos se estamos lidando com uma IgM ou IgG inicial, o que nos coloca dependentes mais uma vez de novos testes”.

Quando falamos, no entanto, de um teste capaz de detectar apenas um tipo de anticorpo, ainda existe mais de uma opção no mercado, de fabricantes diferentes, e, consequentemente, funcionalidades distintas. Isso porque cada um tende a ter uma especificidade e a analisar uma parte da estrutura viral. O coronavírus é composto por quatro proteínas. A nucleocapsídeo é a que envolve o RNA e, por isso, acaba sendo a mais usada. 

Um teste da Beckman Coulter detecta anticorpos contra a proteína Spike, que são capazes de neutralizar o vírus, ou seja, impedir a reentrada dele. “A proteína S é responsável pela entrada do vírus na célula, é a que se acopla ao nosso receptor. Teoricamente, se tenho um anticorpo contra a proteína que se liga ao receptor, esse anticorpo vai ser o ideal para a minha proteção”, explica a Dra. Nancy. É contra essa proteína, inclusive, que, deverá ser feita a vacina contra Covid-19. 

O Access Sars-CoV-2 IgG foi utilizado em uma população ampla e heterogênea que já está imune a outros vírus, como o influenza, por exemplo, não apresentando reação cruzada, conforme bula do ensaio. Alguns testes também ajudam na identificação de doadores de plasma convalescente no combate à uma possível segunda onda de infecções por Covid-19. Portanto, uma testagem em massa e de qualidade pode permitir o sistema de saúde usar melhor os recursos que sabemos ser tão escassos.