Entrevistas

“Os brasileiros estão mais receptivos à ideia de ajudar”

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A BrazilFoundation, organização não governamental baseada em Nova York e que busca recursos no exterior para financiar projetos de assistência a comunidades carentes no Brasil, está realizando a quinta edição do Gala Miami no dia 23 deste mês. A presidente da ONG, Patricia Lobaccaro, esteve em Miami e falou com a Acontece Magazine. Confira.
Patrícia, essa crise política e econômica que o Brasil está enfrentando influenciou no número de propostas que a BrazilFoundation recebe anualmente?
Acredito que sim. Desde 2002, a BrazilFoundation abre um edital anual de seleção de propostas que nos dá um panorama das necessidades do Brasil, e este ano nós tivemos um recorde absoluto de demanda. A gente costuma receber uma média de 500 a 800 propostas por ano, e, este ano, nós recebemos um total de 1.563 propostas, vindas de todos os Estados brasileiros. E isso reflete a importância do Gala de Miami que acontece agora em janeiro, porque temos uma responsabilidade maior ainda em atender essa demanda.

Como é feita essa seleção, em meio à grande demanda no Brasil atual?
Nós temos uma série de indicadores para essa seleção. Fazemos uma primeira leitura (porque nem todas as propostas são viáveis) e a gente chega a um número de mais ou menos 100 melhores propostas para, então, fazermos uma triagem e selecionar entre 50 e 60 propostas para serem visitadas pessoalmente por nossa equipe. Nós nunca apoiamos uma instituição sem antes ter visitado o local, sem conhecer a liderança e verificado “in loco” se a realidade social descrita na proposta corresponde à realidade e se o projeto é viável. E é sempre muito difícil, porque recebemos muito mais boas propostas do que recursos.

Você faz parte da equipe que costuma visitar as instituições que recebem ajuda no Brasil?
Sim, eu sempre visito pessoalmente algumas instituições quando estou no Brasil, e nós também trazemos lideranças dos projetos para conhecerem os nossos doadores. Trazemos lideranças para os galas, como o Gala de Miami deste mês, em que estamos homenageando duas lideranças de projetos, como a Ana Moser, campeã olímpica de vôlei que lidera um projeto de educação física em escolas públicas, e o maestro Marcio Selles que há 20 anos lidera um projeto de música em Niterói (RJ).
Você percebe que os brasileiros que moram no exterior estão mais dispostos em ajudar o Brasil?
Sem dúvida, porque o Brasil passa pela maior crise de representatividade de sua história. As pessoas já não acreditam mais nas instituições e perceberam que não existe outra forma de mudar essa realidade que não seja participando de uma maneira mais ativa. As pessoas estão mais receptivas à ideia de ajudar.

Como as pessoas ou empresas podem ajudar um projeto acolhido pela BrazilFoundation?
As pessoas podem participar o quanto elas quiserem. As portas estão abertas. Qualquer pessoa pode doar dos EUA, através da BrazilFoundation, para um projeto no Brasil. O doador pode escolher o projeto que ele quer apoiar e a gente faz essa ponte. Isso pode ser feito também através dos editais, quando nós selecionamos as propostas mais inovadoras e que podem gerar maior impacto pelo recurso investido. Ou seja, o doador também tem uma participação ativa de escolha dos projetos.

O doador recebe dedução fiscal no imposto de renda?
Sim, a fundação oferece dedução fiscal nos impostos nos EUA para o doador, sendo ele pessoa física ou jurídica.

O que você acredita ser o principal objetivo da BrazilFoundation?
A BrazilFoundation é uma ponte que une pessoas que querem contribuir pelo desenvolvimento do Brasil, mesmo estando fora do país, e excelentes iniciativas que precisam muito desse apoio.

Como a BrazilFoundation está buscando recursos para ajudar a região atingida pelo desastre ecológico em Minas Gerais?
Nós fizemos uma festa em Nova York no dia 8 de dezembro e trouxemos como anfitriã a atriz Gabriela Duarte, que inclusive está morando na cidade, para arrecadar recursos para apoiar pelo menos três iniciativas, dentre as várias que recebemos para ajudar o Estado de Minas Gerais, além de pelo menos seis projetos de assistência às áreas mais afetadas pelo desastre.

Por Connie Rocha – Foto: Bill Paparazzi

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