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Já imaginou se hospedar num deserto?

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Organizadores da Copa do Mundo estão tendo que improvisar soluções para hospedar quase 1 milhão de turistas esperados durante o evento

Fonte: Unsplash

A espera pelo início do evento mais importante do mundo do futebol está prestes a acabar. Realizada a cada quatro anos, em 2022 a Copa do Mundo será realizada no Catar, primeiro país do Oriente Médio a receber a competição.  

Além da responsabilidade de ser o primeiro estado árabe aceito como sede do torneio, o Catar está enfrentando outro desafio: acolher todos os visitantes durante os dias do evento. O pequeno estado localizado no Golfo Pérsico tem uma população com cerca de 2,9 milhões de pessoas, mas deve receber quase 1 milhão de turistas durante a Copa do Mundo.

Por conta disso, além de providenciar a construção de estádios apropriados para receber o evento, o Catar teve que fazer diversos investimentos para receber seus visitantes, tanto em construções – algumas tiveram que ser levantadas do zero – como em enxovais e roupas de cama para hotel, a fim de receber bem os turistas.

Apesar disso, seleções, profissionais da imprensa e torcedores que pretendem prestigiar a competição ainda estão enfrentando dificuldade para encontrar hospedagem disponível durante a Copa do Mundo.

Por conta desse cenário, muitos turistas estão reservando hotéis que fogem do convencional e incluem até mesmo tendas no deserto.

 Para entender por que essas hospedagens alternativas se tornaram uma solução diferente, mas eficiente, é importante lembrar os motivos por trás do déficit de quartos de hotel no país mais rico do Oriente Médio.

Crise na hospedagem

Apesar de ser estreante na Copa do Mundo, o Catar é um país que conseguiu se consolidar como destino turístico nos últimos anos. Estima-se que o estado árabe receba cerca de 2 milhões de turistas por ano, atraídos pela arquitetura, comércio e estilo de vida luxuoso que pode ser encontrado no país.

Para receber adequadamente tantos visitantes, o país também investiu na construção de uma infraestrutura adequada para isso. Porém, ela não foi suficiente para atender os números gigantes relacionados a Copa do Mundo.

Por isso, o Catar propôs a construção de mais de 240 prédios, como hotéis, vilas e complexos, e o preparo de quase 140 instalações para atender esse público, incluindo navios de luxo. 

Tudo isso para atender quase 1 milhão de turistas esperados para o evento, além das 32 seleções e profissionais de imprensa do mundo todo.

Mesmo assim, o aumento explosivo de procura por hospedagens disponíveis durante a Copa do Mundo fez organizadores e empresas ligadas ao turismo adotarem medidas pouco convencionais.

Inicialmente, milhares de quartos de hotel do país foram bloqueados por organizadores da Copa. O objetivo dessa medida foi garantir a hospedagem das equipes, patrocinadores e seus convidados, funcionários, convidados reais e torcedores que reservaram pacotes para o evento.

Esses quartos começaram a ser liberados para reserva do público em geral apenas em setembro, sendo que muitas opções de hospedagem ainda estão em fase de construção. Mesmo assim, a expectativa dos organizadores é que a taxa de ocupação dos hotéis fique em torno de 90% durante a competição.

Hotéis nada convencionais

Embora o déficit de hospedagem seja considerado um problema para alguns, ele também tem disso visto como oportunidade para outros. Afinal, organizadores da Copa do Mundo e moradores do Catar tiveram que improvisar para atender tantos turistas.

Por isso, quem quiser prestigiar o evento, terá a oportunidade de se hospedar em locais bem diferentes do convencional. Além de acomodações no estilo Airbnb, os turistas poderão se hospedar em quartos de navios de cruzeiro luxuosos ancorados no porto de Doha, capital do país, e até em tendas de campings no deserto.

Outra solução providenciada pelos organizadores são as chamadas vilas dos torcedores, compostas por contêineres ao ar livre e casas móveis de construção rápida para abrigar os turistas durante o evento.

Preços altos

Em geral, o valor da hospedagem em cidades turísticas, especialmente durante eventos internacionais como a Copa do Mundo 2022, é mais alto do que a média. Afinal, a disputa por hospedagens é grande e quanto maior a procura, maior o valor cobrado pelo serviço.

No Catar, essa regra não é diferente, mas é intensificada pelo fator “improviso”. As soluções alternativas apresentadas para suprir o déficit de quartos de hotel vai custar caro para o turista.

Uma acomodação simples do Airbnb, por exemplo, pode ser encontrada por cerca de US$ 4 mil por mês (R$ 20,7 mil) durante os dias do evento. Para se ter uma ideia, o valor cobrado para três a quatro noites de hospedagem num Airbnb durante a Copa do Mundo da Rússia foi de, em média, US$ 55,27.

Mas quem procura hotéis de alto padrão, especialmente aqueles localizados em Doha, terá que pagar ainda mais caro. Para se hospedar no hotel cinco estrelas Hyatt Regency, por exemplo, terá que desembolsar cerca de € 15.856 ou R$ 82.150 por cinco dias de hospedagem durante o início do torneio.

Mesmo um hotel mais simples ainda tem um preço elevado. No My City Residence, por exemplo, hotel três estrelas localizado em Doha, o torcedor terá que desembolsar cerca de € 8.965 ou R$ 46.447 por apenas cinco diárias.

Até mesmo os hotéis mais novos estão com o preço elevado. O Rixos Gulf Hotel Doha, por exemplo, empreendimento construído recentemente em função da Copa do Mundo do Catar, deve ser aberto apenas no dia 23 de outubro.  

O resort all-inclusive com 378 opções de hospedagens têm quartos disponíveis a partir de R$ 5.323,00. Mas seus hóspedes também podem se hospedar em cabanas privativas de luxo cuja diária pode ultrapassar R$ 48.000,00 por noite.

As opções mais baratas estão concentradas mesmo apenas nas vilas dos torcedores. A diária na acomodação simples, que oferece chaleira e duas garrafas de água por dia, custa cerca de US$ 207 ou R$ 1.072. No entanto, a maioria das reservas nesse espaço já estão esgotadas.

Uma das Copas mais caras para o turista

Além dos gastos com hospedagens, os turistas que vão visitar o Catar durante a Copa do Mundo 2022 também devem estar preparados para outras despesas. Afinal, a estimativa é que, graças aos custos de serviços e alimentação praticados durante o evento, essa é uma das Copas mais caras da história para o turista.

Quem quiser tomar uma simples cerveja, por exemplo, deve estar disposto a pagar mais. Como existem restrições na venda de bebidas alcoólicas no país, um copo de 500 ml de cerveja pode ser encontrado por R$ 60,00, preço praticado nos bares licenciados de hotéis internacionais.

Mesmo assim, os valores não parecem intimidar os turistas. Segundo a Fifa, já foram vendidos cerca de 2,45 milhões de ingressos para os 64 jogos, envolvendo 32 seleções diferentes na competição.

Até o momento, os torcedores brasileiros estão entre os que mais compraram ingressos, junto com torcedores do Catar, França, Argentina, Alemanha, Inglaterra, Arábia Saudita, entre outros.

Isso explica o faturamento das empresas ligadas ao setor de turismo. O Grupo Águia, por exemplo, empresa brasileira que comercializa ingressos e pacotes turísticos para o Catar, espera faturar quase US$ 30 milhões durante o mundial.

Outras empresas, como Qatar Airways e Emirates, gigantes do setor aéreo que devem aumentar o número de voos para o país em 2022, esperam ter o maior faturamento da história para as linhas do Catar e Dubai.

Vale lembrar que a Copa do Mundo do Catar começa no dia 20 de novembro e termina em 18 de dezembro deste ano.

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