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Governo sugere aos americanos que saiam da Ucrânia

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O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse na última quarta-feira (19) em Washington que “será um desastre para a Rússia” caso esta decida invadir a Ucrânia e reiterou ameaças de sanções económicas nunca vistas.

[O Presidente da Rússia, Vladimir] Putin “nunca viu sanções como as que prometi que serão impostas se ele se mover em direção” à Ucrânia, disse Biden numa conferência de imprensa que assinala o primeiro ano do seu mandato, que se cumpre quinta-feira.

Biden afirmou acreditar que Putin não deseja uma “guerra em grande escala” na Ucrânia, mas avisou o homólogo russo para “pesadas” perdas humanas se enveredar pela invasão.

Relativamente à adesão da Ucrânia à NATO, Biden considerou que “não é muito provável” no curto prazo.

A Rússia tem reiterado que nunca aceitará a integração da Ucrânia na Aliança Atlântica.

Também na última quarta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, disse que a Rússia mobilizou quase 100.000 soldados na fronteira com a Ucrânia e que pode duplicar a sua presença militar muito rapidamente.

“A Rússia concentrou quase 100.000 soldados na fronteira ucraniana, (um número) que pode duplicar num tempo relativamente curto”, disse Blinken numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo ucraniano, Dmitri Kuleba.

Tropas russas chegaram esta quart-feira à Bielorrússia para exercícios militares conjuntos, um sinal “preocupante”, segundo Washington, que denuncia a existência de outras manobras perto da fronteira ucraniana.

Blinken – que se reunira horas antes com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky – acusou a Rússia de usar todos os meios “no seu manual” para desestabilizar o país vizinho desde 2014, primeiro com a anexação da península da Crimeia e depois com a guerra no Donbass.

“A agressão russa até agora matou mais de 14.000 homens, mulheres e crianças ucranianas, e deixou 1,5 milhões de ucranianos sem abrigo”, denunciou o chefe da diplomacia dos EUA, que apontou o dedo a Moscovo por continuar a “alimentar” o conflito no leste da Ucrânia, onde o Kremlin apoia as forças separatistas em Donetsk e Lugansk.

Blinken chegou no dia 19 a Kiev, no âmbito de uma digressão europeia que incluiu uma escala em Berlim e um encontro em Genebra, na sexta-feira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, com quem falou na terça-feira, por telefone, para lhe demonstrar o “inabalável” compromisso com a integridade territorial da Ucrânia.

No dia 19, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Ryabkov – que liderou as negociações de segurança com os EUA, em Genebra – reafirmou que Moscovo não tem intenções bélicas face à Ucrânia.

O Ministério da Defesa russo admitiu esta quarta-feira que algumas das suas tropas já chegaram à Bielorrússia, para manobras militares que decorrerão até 20 de fevereiro.

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, repetiu esta quarta-feira o “forte apoio” da Aliança Atlântica à Ucrânia, durante uma conversa telefónica com Zelensky, assegurando que não se comprometerá com as exigências da Rússia.

“Falei com o Presidente Zelensky para expressar o forte apoio da NATO à Ucrânia, perante a ameaça russa”, disse Stoltenberg, na sua conta da rede social Twitter, acrescentando que a NATO continuará a pressionar Moscovo para reduzir a escalada de tensão nas fronteiras ucranianas.

Stoltenberg recordou que, como anunciou na terça-feira em Berlim, a NATO está disposta a “envolver-se em mais diálogo com a Rússia”, mas sem “comprometer os princípios-chave” da organização.

Esta semana, o governo norte-americano convocou as famílias dos diplomatas americanos em Kiev a deixarem o país por causa de uma ameaça de invasão russa ao país. Os funcionários locais podem deixar a embaixada se desejarem e os cidadãos americanos que moram na Ucrânia devem avaliar deixar o país. O anúncio do Departamento de Estado ocorre em meio a tensões entre a Rússia e o Ocidente, que teme uma possível invasão russa da Ucrânia.

Via Diário de Notícias

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