Nilson Lattari

Crônica: Patrocínio

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Por Nilson Lattari

A palavra patrocínio remete a uma coisa boa. Uma empresa, uma pessoa física, enfim um mecenas resolvem patrocinar algum atleta ou um estudante que, não dispondo de dinheiro, não podem desenvolver, plenamente, suas capacidades e ambições. Nesse caso, um dinheiro é colocado para que a marca se beneficie da exposição ou, simplesmente, alguém abata o valor no imposto de renda e fica uma coisa pela outra. O patrocinador com o benefício e o erário com o prejuízo.

Mas, o objetivo disso é fazer um alerta de como as palavras podem influenciar a condição dos gêneros em nossa sociedade. Patrocínio é uma palavra masculina, e mesmo que uma empresa seja liderada por uma mulher, ou sendo ela apenas uma pessoa física, não escutaremos a palavra matrocínio, apesar de a empresa ser do gênero feminino, até mesmo ela, patrocina.

Existem as palavras que contém uma conotação negativa e positiva, apesar de serem as mesmas. Um solteirão nem sempre é uma figura carimbada de forma negativa, muitas vezes, até mesmo aquele a ser cobiçado. Enquanto uma solteirona é vista como a mulher que ninguém quis ou quer. Ou aquela que não quis ninguém e, em alguns casos, vista com preconceito.

No meio empresarial temos o chairman, mas não ouvimos a chairwoman, assim como, recentemente, vimos a resistência de alguns, inclusive de algumas, quanto a se referir à primeira mulher eleita presidente do Brasil como presidenta, apesar de a palavra ser dicionarizada.

Necessitamos, também, categorizar as palavras, colocando as formas de gênero corretas, até porque o uso das narrativas predispõe o leitor a ler o próprio preconceito, sem que se dê conta. Colocar os gêneros devidos nas palavras, principalmente naquelas que definem o cargo, é o sinal para que seja percebido por aquele que lê, e o faça lembrar da condição feminina em nossa sociedade.

Modificando a hierarquia das palavras, popularizando o uso, seria mais um passo na direção do reconhecimento do papel feminino.

Um dos tratamentos mais interessantes e, hoje, em desuso é o da senhora e da senhorita, mas não ouvimos o senhor e o senhorito. É, quase sempre, o rapaz, mas se usamos a rapariga o sentido é totalmente negativo.

Para que tenhamos cuidado com o tratamento a ser dado, é preciso, primeiro, ouvir as palavras e o real sentido delas. Patriarca, normalmente, é o mandachuva, no entanto, quando nos referimos à matriarca a imagem que nos vem à cabeça não parece ser tão alvissareira.

Em muitos lugares, podemos identificar a forma de tratamento entre homens e mulheres. Em nosso país, por hora, ou minutos, morre uma mulher por feminicídio. Talvez a mudança ou a inserção do tratamento correto no trato das palavras cause alguma mudança na mentalidade dos homens, que ao patrociná-las se julgam donos.

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