Nilson Lattari

Crônica da semana: DOAÇÃO

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Por Nilson Lattari

Foto de Katt Yukawa na Unsplash

Se damos um pouco do nosso tempo para alguém, esse presente ou essa doação não deixam rastros. É como dar alguma coisa invisível para todos, mas que faz uma grande diferença para aquele que a recebe. Rastros seriam importantes para aqueles que fazem da sua doação algo tangível, alguma coisa que deverá ficar gravada em algum lugar para todo o sempre.

É como raciocinar o doar mas olhando a quem, em busca da recompensa.

A doação tem uma dose de sinceridade ou de demagogia. Essa fronteira que define os dois sentimentos se tocam, se mesclam e, muitas vezes, se confundem. O olhar de quem doa é o mesmo daquele que faz o gesto esperando uma retribuição. Por isso a fronteira é tênue e frágil.

Para aquele que se encontra diante do infortúnio, a doação chega em boa hora, ele pode ver nos olhos de quem doa uma sinceridade. Claro, poderíamos dizer que esse gesto poderá pedir uma compensação futura: no encontro com a eternidade, por exemplo. Claro, haveria também uma dose de demagogia. Mas essa demagogia seria com quem? Cada um faz o seu julgamento.

Doar, dar algo de si para o outro é um ato de amor ao próximo. Se não existe uma compensação para um benefício junto ao Criador, o ato existe para uma compensação que o doador sente na sua alma, no seu interior.

As pegadas e os traços daqueles que doam, com sinceridade, são os mesmos do insincero.

A vida é confusa e os sentimentos também são. Somos os paradoxos do viver e do conviver. Quando vemos pessoas que se dizem religiosas, que defendem um tipo de comportamento severo e duro em relação aos outros, que dizem em alto e bom som as virtudes que dizem ter ou defender, e defender, ao mesmo tempo, aberrações, caberia pensar se a sinceridade ali existe. E se existe, em que grau ela se define.

É comum observar pessoas duras com o outro, cheias de valores superlativos, tomarem atitudes de sufocamento às ideias contrárias, subitamente, se tornarem de bom coração com suas doações. Ficamos a perguntar onde está a fronteira desses pensamentos. Ou melhor, se existe essa fronteira.

Aqueles que dão flores para alguém carregam nas suas mãos um pouco do perfume delas. As doações deixam rastros perfumados nas mãos daquele que doa de coração. E deixam o falso perfume nos seus contrários, um cheiro diferente.

Quando doamos alguma coisa nossa para alguém, o desejo nosso está em deixar um pouco de perfume em nós ou apenas um falso perfume para enganar o outro?

A doação é um ato de amor, e o amor é algo fugaz. Pode ser um impulso de momento, que seria a doação espontânea, uma vontade que sai do nosso interior para o outro. Ou podem ser as doações programadas, realizadas em determinadas datas do ano. Todas deixam perfumes.

Mas, e o cheiro?

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